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Votação online em curso: escalada nuclear é acontecimento do ano

Votação online em curso: escalada nuclear é acontecimento do ano

Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Na eleição do acontecimento internacional de 2017, a escalada nuclear norte-coreana é até ao momento o facto mais marcante. A votação online dos leitores do Expresso decorre até dia 15 de dezembro, às 18h

A escalada nuclear protagonizada pelo regime norte-americano é o acontecimento internacional de 2017 mais votado pelos leitores do Expresso, com 27% das preferências.

Seguem-se a saída dos EUA dos acordos de Paris sobre o clima, com 16%, e o movimento independentista na Catalunha, com 15%.

A votação online pelos leitores do Expresso, agora na quarta edição, é feita sobre as mesmas opções que foram discutidas e votadas pelos jornalistasda casa. À semelhança do que acontece desde 1982, a Redação elege as figuras e os acontecimentos nacionais e internacionais do ano. A iniciativa é uma das mais velhas tradições democráticas da comunicação social portuguesa.

Os artigos de fundo sobre os vencedores das quatro categorias (figura nacional; acontecimento nacional; figura internacional; e acontecimento internacional) serão publicados na edição semanal em papel de 23 de dezembro.

Os leitores podem fazer a sua votação optando entre os mesmos acontecimentos e figuras que foram sufragados pelos jornalistas do Expresso.

Em baixo, pode votar no acontecimento internacional de 2017, escolhendo um dos nomeados.

Apocalipse do Daesh
Com a queda de Mossul (no Iraque, em junho) e de Raqqa (na Síria, em novembro), cidades que eram as “capitais” do califado, confirmou-se a perda do território útil do Daesh, agora reduzido a uma faixa de terreno desértico entre o Iraque e a Síria. O grupo está em vias de erradicação depois de uma ascensão meteórica em 2014, mas a sua ideologia e o apelo ao jiadismo na Europa e EUA permanecem vivos e ameaçadores na internet.

Ciberataque Wannacry
Um ataque de hackers que mostrou as vulnerabilidades dos sistemas informáticos de bancos, grandes empresas, fábricas, etc e que constitui um alerta para o perigo de todos os programas e redes em que a vida moderna se baseia poderem de um momento para o outro sofrer uma derrocada que nos traria de volta (quase) à idade da pedra.

Condenação de Ratko Mladic
A condenação a prisão perpétua do Carniceiro de Srebrenica coroa um trabalho notável de investigação e instrução judicial do TPI e manda aos genocidas deste mundo uma forte mensagem: cedo ou tarde prestarão contas à justiça.

Crise económica e política na Venezuela
Ao forçar eleições em condições de mais que duvidosa democraticidade, ao reprimir brutalmente toda a dissensão e protesto público e ao afundar o país numa crise económica cada vez mais grave, o regime de Maduro arrisca cada vez mais um banho de sangue. A recente criação de uma moeda virtual (o petro), quando o país está sob acusação de incumprimento no pagamento da dívida, é mais um sintoma da caminhada em direção ao precipício.

Deriva antidemocrática na Polónia e na Hungria
Valendo-se das suas maiorias parlamentares, os ultra-conservadores polacos e húngaros subvertem o estado de Direito e o princípio da separação de poderes, pondo em causa o respeito de valores básicos da União Europeia a que, apesar de tudo, pertencem. Pode a União sobreviver a isto?

Deriva autoritária na Turquia
A pretexto de reprimir os supostos promotores do golpe de Estado do ano passado, Erdogan subverteu o Estado de direito e as garantias mais básicas, pondo também em causa a liberdade de imprensa e consagrando a deriva da Turquia para uma ditadura oriental, o que compromete a sua adesão à União Europeia.

Escalada nuclear da Coreia do Norte
Há um lado de provocação gratuita e fanfarronada nos ensaios de mísseis balísticos e armas nucleares, mas é inegável que a Coreia do Norte ganhou protagonismo e dispõe de alguma capacidade dissuasora. Perante isto, Trump deixou-se arrastar para uma escalada de provocação e foi incapaz de granjear apoios (na ONU, e junto da Rússia e da China) para uma política eficaz e serena de contenção. Pelo contrário, ao ameaçar, em plenas Nações Unidas, “destruir totalmente” a Coreia do Norte, veio dar ao presidente norte-coreano, Kim Jong-un, mais combustível para este prosseguir a sua retórica e cruzada belicistas.

EUA saem do acordo de Paris sobre o clima
Embora a saída dos EUA seja diferida no tempo, a posição de Trump representa um retrocesso internacional importante, podendo pôr em causa as metas de redução de gases de estufa decididas em Paris após um difícil consenso internacional. É uma decisão com impacto na mudança climática e que também influenciará o comportamento de outros grandes poluidores,como a China e a Índia. A medida insere-se na política geral de isolacionismo dos EUA, de que fazem também parte as saídas da Unesco e do pacto da ONU sobre refugiados e emigrantes.

Figuras públicas acusadas de assédio sexual
Começou com Harvey Weinstein, o multimilionário produtor de cinema mas de Beverly Hills o escândalo já passou para a Hill do Capitólio, onde vários políticos também estão a enfrentar acusações de terem procurado forçar contactos sexuais com mulheres que não o haviam consentido. E, de todos os políticos, o mais conhecido é o Presidente dos Estados Unidos, acusado por 13 mulheres de assédio sexual. Depois do catalisador Weinstein, dezenas de outros nomes, alguns bastante conhecidos, fizeram manchete pelas piores razões: entre eles o ator Kevin Spacey, o comediante Louis CK e o ministro da Defesa britânico, Michael Fallon.

Genocídio dos Rohingya
Os militares birmaneses promovem uma perseguição impiedosa da minoria muçulmana que pode a curto prazo degenerar num genocídio como os do Ruanda ou da Bósnia. Põem em causa a posição da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi e nem o Papa durante a visita à antiga Birmânia se mostrou capaz de denunciar esta vergonha.

Investigação à eleição de Trump
Aperta-se o cerco a Donald Trump por causa do alegado envolvimento russo na campanha que permitiu a sua eleição, em novembro do ano passado. O seu ex-conselheiro de segurança nacional, Michael Flynn, reconheceu recentemente que mentiu ao FBI (em declarações prestadas anteriormente) para proteger o Presidente dos EUA. Em meados do ano, Trump afastara o então diretor do FBI, James Comey, alegadamente por este não ter cedido às suas pressões para deixar de investigar Flynn. Se ficar provado que houve complô entre as campanha de Trump (e há suspeitas sobre familiares diretos) e os russos, o presidente dos EUA pode enfrentar um processo de impeachment.

Movimento independentista na Catalunha
Para o bem e para o mal, marca o ano político em Espanha e na Europa. Tem um lado caricato e imaturo mas chamou a atenção para a realidade do autonomismo catalão e pôs a nu a deriva soberanista e autoritária de Madrid, incapaz de ter iniciativa política e capacidade de diálogo.

Operação Lava Jato
Uma investigação judicial que não começou este ano mas que confrontou o Brasil com os demónios da corrupção do sistema político e que cedo ou tarde obrigará a rever a constituição, a lei eleitoral, a lei dos partidos e eventualmente a novas eleições presidenciais porque Temer sobrevive mas à custa de um desprestígio crescente.

Processo de Paz na Colômbia
Ainda que tendo tido parte da sua marcha o ano passado é este ano que cumpre o seu maior objetivo, com a guerrilha das FARC a entregar definitivamente as armas e a transformar-se num mero partido político. Um caso raro na América Latina e que pela sua exemplaridade merece o máximo destaque e é outra das boas notícias do ano.

Reconciliação Hamas-Autoridade Palestiniana
Pressionado por uma situação económica e social catastrófica e por um bloqueio impiedoso vindo de Israel e do Egipto, o movimento radical islâmico Hamas acordou com a Autoridade Palestiniana a transferência do poder e a realização de eleições. Isto abre algumas perspectivas de paz, nomeadamente com Israel, para além de abrir a porta à superação de uma crise de fome, doença e desemprego sem precedentes na Faixa de Gaza.

Terramoto político em Angola
João Lourenço iniciou o que parece ser o desmantelamento do poder económico da dinastia dos Santos e que a concretizar-se abre um novo ciclo político em Angola. Para já, há uma evidente troca de cadeiras no regime, mas ainda é cedo para fixar o alcance das mudanças operadas pelo sucessor de José Eduardo dos Santos.

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