www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 7 dez 18:51

Porque é fácil errar as previsões para 2018

Porque é fácil errar as previsões para 2018

Este ano tem sido bondoso para a maioria das classes de ativos, sobretudo para as ações e obrigações, com as mercadorias – como os metais preciosos e a energia – a acompanharem este desempenho.
Em cinco anos o retorno total das ações (variação das cotações e dos dividendos), e se excetuarmos o PSI20, cuja economia atravessou uma intervenção externa com políticas pró-cíclicas, foi superior a 60% nos mercados indicados no quadro abaixo.

2012-2017
Índices    % variação na cotação    % Retorno total    Retorno total/média anual
PSI20     +1.31%    +19.86%    +3.68%
IBEX35     +29.67%    +60.43%    9.89%
DAX30     +78.61%    +78.61%    12.26%
Eurostoxx50     +105.19%    +128.03%    17.87%
S&P500     +40.41%    +68.27%    10.94%
Nikkey225     +92.59%    +110.53%    +16.01%


O período entre o final de 2012 e 2017 foi bastante positivo mesmo para quem prosseguiu estratégias passivas ou mesmo conservadoras. Os investidores consideraram avaliações mais generosas, motivados pela gradual aceleração dos ritmos de crescimento económico, pela ausência de “cisnes negros”, pela ausência de inflação, pelo crescimento das receitas das empresas, das suas margens e dos respetivos lucros. Claro que uma abundante disponibilidade de recursos financeiros alimentada pelas autoridades monetárias que injetaram uma extraordinária quantidade de massa monetária e engordaram os seus balanços, com taxas de juro historicamente baixas, foi também determinante. Neste cenário, não se estranha o significativo aumento de programas de recompras de ações próprias: como ficou mais barato pagar cupão do que dividendos, muitas empresas decidiram emitir obrigações para, com o dinheiro recolhido por esta via, comprar ações próprias.
O investimento em empresas tecnológicas, cada vez mais fonte de bem-estar social e a modestos preços, permitiu aos investidores mais agressivos capturar um retorno superior ao dos tradicionais setores, embora este tipo de empresas obrigue a pagar prémios maiores e a considerar múltiplos que se espera poder verificar num futuro.
Após estes desempenhos excecionalmente positivos, torna-se muito fácil errar ao fazer previsões para 2018. De qualquer modo, há alguns pressupostos com elevada probabilidade de se concretizarem: as taxas de juro deverão manter-se reduzidas na Europa, mas devem subir nos EUA; o ritmo de crescimento económico e a média dos resultados das empresas devem abrandar e os recursos vão manter-se abundantes. Nesse enquadramento, a tendência vai ser a de olhar para os fundamentais das empresas e filtrar as que conseguem extrair valor do mercado fazendo-se valer do seu equilíbrio financeiro e do desempenho económico, ou seja, aquelas que conseguem registar meios libertos líquidos face às suas receitas de 5% a 7%, o que implica capacidade de ter razoáveis resultados operacionais (EBITDA) e uma relativa e prudente utilização de recursos alheios.
Numa perspetiva de 5 a 7 anos, achamos que a Espanha pode reduzir o desconto face ao resto da Europa. Acreditamos que o setor petrolífero europeu pode capitalizar a evolução dos preços do crude e mesmo que em 2018 traduza uma estagnação nos preços ou mesmo correção, permitindo aos Governos retirar uma relevante parte das receitas. A banca continuará a ser a maior fonte de financiamento das economias europeias, mas o rácio do crédito face aos depósitos, infelizmente, manter- -se-á elevado. Com as imparidades que a banca ainda não limpou, pode ser demasiado cedo para fazer carteira, exceto casos pontuais, muito bem escolhidos.
Fugindo das obrigações – que me assustam mais que as avaliações de algumas empresas – os metais preciosos podem ser menos apetitosos que as moedas virtuais (que ironia, mas em linha com a inovação), mas ainda têm aplicação em alguma indústria e em situações cruciais e de incerteza aguda podem constituir a melhor fonte de reserva de valor.
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