rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 6 dez 19:51

​A estratégia de Trump

​A estratégia de Trump

Para o Médio Oriente, afinal Trump tem uma estratégia: pegar fogo à região.

“Não posso calar a minha preocupação”, afirmou o Papa Francisco antes de Trump anunciar, como se previa, que iria transferir a embaixada americana em Israel de Telavive para Jerusalém, considerando esta cidade como capital israelita. “Jerusalém é uma cidade única, sagrada para os hebreus, cristãos e muçulmanos, que nela veneram os lugares santos das respectivas religiões e tem uma vocação especial para a paz”, sublinhou ainda o Papa. Por isso, o Papa Francisco apelou a manter o “status quo” de Jerusalém, de acordo com resoluções da ONU.

A angústia do Papa não é caso único. A preocupação com esta decisão de Trump fez-se sentir em todo o mundo. Nos países muçulmanos, incluindo o Egipto e a Turquia, mas também nos europeus. Do ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, ao português Augusto Santos Silva ou ao Presidente Marcelo, todos discordaram da insólita decisão de Trump. Bem como a China, cujo governo receia um “escalar de tensões” no Médio Oriente.

Os países que tiveram embaixadas na parte oriental de Jerusalém, anexada por Israel em 1967, tinham-nas retirado todas há muito. O gesto de Trump representa uma perigosíssima rutura histórica, que agravará o clima de violência que se vive no Médio Oriente.

O processo de paz entre israelitas e palestinianos, que Trump prometera relançar (e que seria gerido pelo seu genro Jared Kushner, judeu) morre antes de começar. Aliás, nem outra coisa era o que desejava o primeiro-ministro israelita, Netanyahu, que espalha colonatos judaicos pela Cisjordânia para inviabilizar um futuro e cada vez mais hipotético Estado palestiniano.

Entretanto, Trump apoia a Arábia Saudita, sunita, contra o grande rival muçulmano xiita, o Irão. Assim como encoraja o príncipe herdeiro saudita na sangrenta guerra no Iémen e no isolamento do Qatar.

Critiquei aqui a aparente falta de estratégia de Trump para o Médio Oriente. Afinal, parece que ele tem uma estratégia: pegar fogo à região.

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