www.dinheirovivo.ptLuís Bravo - 6 dez 14:28

Opinião. Suave estratégia de saída

Opinião. Suave estratégia de saída

Luís Bravo é Managing Partner da Dif Capital

As recente divulgação das minutas da ultima reunião do comité de política monetária do Banco Central Europeu evidenciam a construção de um caminho.

O de retirada dos estímulos, um processo gradual que aponta para uma suave estratégia de saída, mas que se tornará ainda mais evidente durante os próximos trimestres, sobretudo na narrativa da autoridade monetária em termos de retórica, que deverá acentuar menos no compromisso de adquirir mais ativos para estimular a inflação, e ser mais centrado na manutenção de uma política monetária flexível com os juros a permanecerem em valores historicamente baixos.

Mas é claramente o anuncio preliminar do inicio do processo de normalização monetária na zona euro.

Obviamente, isto não significa que o BCE não vai reduzir o seu balanço. Pelo contrário, continuará a expandir durante mais algum tempo, e sobretudo ainda falta algum tempo até começar a desfazer-se das posições que detém, reinvestindo os atuais montantes, na maturidade das atuais alocações. Até porque os riscos de uma crise dentro do euro, embora não sejam os mesmos, não desapareceram.

A Catalunha continua sob escrutínio, e os resultados das eleições na Itália poderão reacender o sentimento anti-euro, sobretudo se o movimento populista 5 estrelas assumir o executivo e levar a cabo uma agenda mais nacionalista. É certo que os mercados têm se mantido estabilizados e algo imunes aos temas geopolíticos, mas os riscos continuam a existir. Da mesma forma que o crescimento económico na zona euro deverá continuar a registar boas indicações.

Ou seja a estratégia de saída da autoridade monetária será suave e gradual, mas a mensagem já mudou, e isso significa que o contrarrelógio para os países do sul da Europa – que necessitam de acelerar o seu processo de consolidação fiscal e detêm ainda um stock de dívida elevado – está já em contagem.

Para Portugal será por isso importante continuar a recuperar a credibilidade das agências de rating, fechando o ciclo iniciado este ano com a subida do rating por parte da S&P que permite uma maior segurança ao país em situações de emissão no mercado primário. Falta a Moody’s e a Fitch acompanharem este movimento, e ficará encerrado o processo.

Contudo, os riscos e desafios ainda permanecem, e uma subida dos juros ainda que moderada pode influenciar muito neste momento em Portugal, uma economia onde os agentes ainda se encontram bastante endividados. Convém sempre recordar que o programa de estímulos, apesar de não ter sido desenhado para garantir estabilidade para as dívidas europeias, tornou-se num mecanismo de relevante estabilidade, garantindo margem e tempo para Portugal proceder a reformas estruturais e completar o processo de consolidação orçamental.

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