visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 15 nov 10:50

5 boas razões para ir ao festival Family Film Project

5 boas razões para ir ao festival Family Film Project

O Festival Internacional de Cinema de Arquivo, Memória e Etnografia volta a explorar a fronteira entre o público e o privado. A sexta edição começa esta quarta-feira, 15, e, além das secções competitivas, contará com cinema autoral, performances, conferências e concertos. Em cinco pontos, resumimos o essencial do programa, dividido entre o Passos Manuel, o Maus Hábitos e a Faculdade de Belas Artes, no Porto
A casamenteira Tova é a protagonista do documentário Do You Believe in Love?

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1. Programação competitiva

A secção competitiva do Family Film Project (FFP) está dividida em três áreas temáticas. Em Vidas e Lugares, reúnem-se registos voyeurísticos, biográficos e documentais de habitats e quotidianos muito distintos, desde o documentário israelita Do You Believe in Love?, sobre uma casamenteira que não acredita no amor, ao resgate da história de famílias ligadas ao cultivo do fumo (tabaco) no sul do Brasil, em A Grande Nuvem Cinza, passando pela vida num bairro de lata Romani, na Macedónia, no filme Valentina. Já em Memória e Arquivo, destacam-se olhares criativos baseados em testemunhos, como o do português Fernando José Pereira, em Lighthouse (Hikikomori III), que partiu de casos de jovens japoneses que se isolam durante longos períodos, ou da francesa Alice Marsal, em Seaside Memory, à procura de imagens que ajudem a recuperar as memórias da infância. Por último, Ligações, centrada nas dinâmicas interpessoais e comunitárias, onde caberá Two Worlds, retrato da ligação de Laura, uma menina de 12 anos, com os seus pais surdos. Haverá ainda uma competição autónoma dedicada à ficção, com uma seleção de curtas-metragens de diferentes origens.

2. Conferência Unframing Archives

Refletir sobre a produção de filmes de arquivo, memória e etnografia sempre foi um propósito do FFP, quer pela instabilidade de géneros (documentário ou ficção?), quer pelas discussões em torno da intimidade e do constante deslocamento dos seus limites. Questões éticas, estéticas e políticas serão colocadas ao longo deste colóquio, que decorre na Faculdade de Belas Artes do Porto, nesta quinta-feira, 16, das 14h30 às 17h, com a participação de Andrzej Marzec, Catarina Mourão, Efrén Cevas e Fernanda Fragateiro.

Nus dans la cage d'escalier será uma das obras de Regina Guimarães exibida na retrospetiva

Nus dans la cage d'escalier será uma das obras de Regina Guimarães exibida na retrospetiva

3. Realizadora Convidada: Regina Guimarães

As sessões de abertura e de encerramento do festival (dias 15 e 18, ambas no Passos Manuel, às 22h) serão dedicadas à extensa obra videográfica de Regina Guimarães, organizada sob a forma de cadernos. A realizadora começou por querer filmar e montar imagens que fossem um prolongamento do seu trabalho de escrita. “Filmar tem-me sido aprender a ver. Montar tem-me sido o conhecimento do que permanece entre a despeito da continuidade”, diz Regina Guimarães, no testemunho deixado ao festival. Nos cadernos, “pequenos laboratórios da lembrança”, registou um universo “doméstico, mas não domesticado”. As sessões contarão com a sua presença.

4. Concertos

The Oblivions Wordless Knot é o nome do filme-concerto do grupo Haarvöl (formado por Fernando José Pereira, João Faria e Rui Manuel Vieira), um projeto eletrónico experimental cuja música é desenvolvida como exploração das propriedades do som para alcançar ambientes cinematográficos e de imagem. Esta obra, apresentada na sexta, 17, às 23h30, no Passos Manuel, pretende refletir sobre as três dimensões do tempo: passado, presente e futuro. No quinta, 16, à meia-noite, será a vez de se ouvir Orphax no Maus Hábitos, um projeto de música ambiente minimal e drone music, do holandês Sietse van Erve.

Rebecca Moradalizadeh fará um jantar-performance

Rebecca Moradalizadeh fará um jantar-performance

5. Paisagens do Eu

Para este ciclo de performances (quinta, 16, a partir das 20h, no Maus Hábitos), Cristina Mateus, Isabel Barros, Joclécio Azevedo, Marianne Baillot, Rebecca Moradalizadeh e Susana Chiocca foram convidados a apresentar propostas que refletissem sobre as temáticas do FFP. Destaque para Landmarks #3 – A Question of Identity, o jantar-performance concebido por Rebecca Moradalizadeh, artista de origem luso-iraniana, a cozinhar uma lembrança olfativa proveniente das memórias familiares.

Family Film Project > Passos Manuel, Maus Hábitos e Faculdade de Belas Artes > Porto > T. 93 523 9023 > 15-19 nov > sessões €3, passe €8, concertos, performances e conferência grátis, jantar €15 (necessária inscrição prévia)

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