visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 15 nov 09:32

Porque os filhos mais novos querem – e precisam – de ser os preferidos

Porque os filhos mais novos querem – e precisam – de ser os preferidos

Um novo estudo conclui que a perceção de ser o preferido dos pais do mais novo da casa tem um efeito na relação familiar mais acentuado do que se pensava

Um grupo de investigadores da Brigham Young University's (BYU) School of Family Life concluiu que são os irmãos mais novos quem mais precisa de se ver no papel do preferido, apesar da convicção comum de que são os primogénitos a vencer a "batalha" do favoritismo.

E se assim for, se o irmão mais novo se considerar o preferido dos pais e estes concordarem, há um fortalecimento na relação de ambos, reporta o estudo. Caso não se considere o preferido dos irmãos, observa-se o oposto. Já no caso dos irmãos mais velhos, serem ou não considerados os favoritos dos pais não tem qualquer efeito na relação familiar.

Os investigadores acreditam que a explicação para este fenómeno reside na tendência que os irmãos mais novos tendem a autocompararem-se muito com os mais velhos, o que faz com que lhes seja importante desenvolver laços mais fortes com os pais.

"Não é que os filhos primogénitos nunca pensem nos seus irmãos e em si próprios relativamente a eles", esclarece Alex Jensen, professor assistente na BYU School of Family Life, "apenas não é uma parte do seu quotidiano tão ativa", diz.

Então o que leva os irmãos mais novos a fazê-lo com mais frequência? "A minha aposta é que é mais raro que os pais digam ao filho mais velho 'porque é que não és mais como o teu irmão mais novo?'. É mais provável que aconteça ao contrário", explica Jensen.

O estudo envolveu 381 famílias de classe média, cada uma com dois filhos adolescentes. Como forma de medir o favoritismo foram realizadas entrevistas separadas às mães, aos pais e a cada um dos filhos.

Aos filhos foi pedido que descrevessem a sua relação com os pais. Aos pais, foram pedidas avaliações individuais dos níveis de "carinho" e "conflito" que sentiam com cada um dos seus filhos.

Foi também descoberto que, no geral, ambos os filhos sentem mais empatia, mas também mais conflito, com as mães do que com os pais.

Apesar de o estudo englobar apenas famílias com dois filhos, Jensen acredita que os resultados obtidos seriam igualmente observáveis em famílias mais numerosas.

"Se me perguntarem 'vemos a mesma coisa na relação entre o filho mais novo e o filho do meio?', penso que provavelmente sim", diz. "O filho mais novo vê todos como uma referência, o filho mais novo a seguir a ele vê todos os que lhe sejam mais velhos como uma referência - e as coisas seguem essa ordem".

Contudo, Jensen acredita que a solução para um bom entendimento entre irmãos não precisa de passar por tratar todos da mesma maneira. "Quando os pais são mais carinhosos e mais solidários e consistentes com todos os filhos, o favoritismo tende a não ter tanta importância".

"Alguns pais sentem 'eu tenho de os tratar a todos da mesma forma'. O que eu digo é 'não, devem tratá-los de forma justa, mas não igual'", refere. "Se o seu foco estiver em tratá-los de forma diferente por eles serem pessoas diferentes e terem diferentes necessidades, isso é positivo".

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