observador.ptobservador.pt - 15 nov 13:23

O melhor professor do mundo já trabalhou na Microsoft

O melhor professor do mundo já trabalhou na Microsoft

O melhor professor do mundo deixou a Microsoft para abrir uma universidade no Gana. Patrick Awuah foi eleito o melhor professor do mundo na Cimeira Mundial para a Inovação em Educação, no Qatar.

O melhor professor do mundo deixou a Microsoft para abrir uma universidade no Gana. Patrick Awuah foi eleito esta quarta-feira o melhor professor do mundo na Cimeira Mundial para a Inovação em Educação, que se realiza até quinta-feira em Doha, no Qatar.

Com 52 anos, o professor e engenheiro, que trabalhou durante oito anos para a Microsoft, diz que são necessários líderes filósofos e que “o importante é ser sempre honesto e transparente, educar para a capacidade de um pensamento crítico e saber que, quando caímos o importante é levantarmo-nos e seguirmos em frente”, segundo declarações ao El Mundo.

Patrick Awuah foi o responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional Windows NT e ficou milionário, mas nem por isso deixou de pensar no país que o viu crescer. Deixou a sua vida cómoda e estável, em Seattle, nos Estados Unidos da América, e regressou ao Gana, onde fundou, na capital Accra, a Universidade Ashesi.

O vídeo abaixo mostra o discurso de Patrick durante uma TED Talk, em 2007, sobre a formação de verdadeiros líderes.

Em 2002 surgiu então aquela que é hoje uma universidade que pretende educar jovens africanos nos campos do empreendedorismo e liderança. Há licenciaturas em Administração de Empresas, Informática e Sistemas de Gestão, mas a particularidade prende-se com o campo das Humanidades, transversal aos planos curriculares para que os 600 alunos possam desenvolver um pensamento crítico.

Durante quatro anos, todos os alunos integram um seminário de liderança sobre ética, colaboração e empreendedorismo que termina depois com um estágio, que permite a aprendizagem através da execução. Em 2008, os alunos assumiram a responsabilidade pelo seu comportamento ético – o primeiro código de honra existente numa universidade africana deste género.

Uma das coisas que mais me orgulha é esse código de honra. Descobrimos que, quando os nossos alunos encontram trabalho, apresentam ideias novas, trabalham arduamente, questionam aquilo que fazem e são capazes de lidar com problemas que não tinham surgido antes”, diz.

Patrick Awuah recebeu o prémio de meio milhão de dólares, numa cerimónia onde estavam presentes dois mil participantes de uma centena de países, por ser um “herói silencioso nestes tempos difíceis”, de acordo com Yalda Hakim, jornalista da BBC que apresentou o evento.

O tema central da Cimeira Mundial sobre a Educação e Inovação é a educação na Era da pós-verdade, razão pela qual Awuah recebeu o prémio, porque “são necessárias novas formas de empreendedorismo que não se baseiem apenas no desenvolvimento económico, mas no alívio moral dos cidadãos”.

Numa altura em que o Qatar está a passar por um bloqueio diplomático e económico desde junho, por acusações de apoiar o terrorismo, a esposa do Emir centrou o seu discurso de abertura na questão das notícias falsas que surgiram sobre o seu país.

Os meios de comunicação promovem falsidades” e, por isso, “temos de lutar contra as manipulações e incluir nos planos curriculares elementos que ajudem os jovens a adquirir o pensamento crítico, a desenvolver competências para que se afastem dos pensamentos estereotipados e para que sejam imunes à manipulação”, afirmou Mozah bint Nasser, esposa do Emir do Qatar.

Her Highness Sheikha Moza bint Nasser presented the 2017 #WISEPrize for #Education to Dr. Patrick Awuah (@PatrickAwuahJr) at #WISE17 pic.twitter.com/cB5V7LgiPH

— WISE (@WISE_Tweets) November 15, 2017

1
1