rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 15 nov 12:33

"Propaganda". Ministro da Saúde não responde a bastonário dos médicos

"Propaganda". Ministro da Saúde não responde a bastonário dos médicos

"Respondo aos portugueses", disse Adalberto Campos Fernandes, reagindo às palavras do bastonário que disse que "grande parte dos equipamentos no SNS está fora do prazo".

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, classificou como “propaganda” as críticas do bastonário da Ordem dos Médicos à alegada falta de investimento no Serviço Nacional de Saúde e defendeu a ideia que a sua obrigação é para com "os portugueses".

Em visita ao Centro Hospital de Gaia/Espinho, esta quarta-feira, o ministro da Saúde reagiu às declarações de Miguel Guimarães, afirmando que só consegue compreender as declarações do bastonário “no plano da propaganda”.

“Eu não respondo ao senhor bastonário da Ordem dos Médicos. Respondo aos portugueses. Estamos aqui em Gaia a sinalizar uma vaga fortíssima de investimento no Serviço Nacional de Saúde. Não prometemos facilidades. Mas também não comentamos afirmações que compreendemos no plano da propaganda, mas que, naturalmente, não servem aquilo que é a nossa obrigação, que é trabalhar para os portugueses”, declarou o ministro.

“Os primeiros dois anos da legislatura foram muito intensamente consagrados ao investimento do capital humano e nós sempre dissemos que, na segunda metade, teríamos de resolver os problemas dos pagamentos em atraso e lançar uma vaga fortíssima de investimento”, argumentou o ministro, que avançou ainda estar a trabalhar “num programa de investimento que, até 2019, deixará o SNS nos seus 40 anos como ele nunca esteve���.

Num encontro com jornalistas, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, na terça-feira, veio a público anunciar um levantamento da situação dos equipamentos de saúde no país, deixando críticas de antemão e garantindo que, ainda antes de ter essa "fotografia de proximidade", todos os hospitais do país enfrentam problemas nos equipamentos.

Miguel Guimarães falou ainda em "desinvestimento", e recordou que em 2016 o orçamento da saúde correspondia a 5,9% do PIB, valor que em 2017 e em 2018 estará nos 5,2%, quando a média da OCDE é de 6,5% do PIB.

Resposta em "tempo adequado" a demissões na ARS Norte

Reagindo à demissão de 13 coordenadores da região Norte da Administração Regional da Saúde ligados à área da toxicodependência, o ministro da Saúde prometeu uma resposta “no momento adequado” e lembrou que decorre uma avaliação à gestão.

Recordando que "alteração ao modelo do Instituto da Droga e da Toxicodependência foi feita pelo Governo anterior", Adalberto Campos Fernandes informou que está em curso "uma avaliação através de um grupo de trabalho que o secretário de Estado Adjunto de Saúde constituiu e cujo relatório está na sua posse", garantindo uma intervenção "no tempo adequado, com os estudos adequados, compreendendo as manifestações que são feitas de desagrado ou de agrado".

Para invocar a demissão, os 13 coordenadores mostraram-se contra o actual sistema de gestão, que foi dividido, e que gera listas de espera "que são insustentáveis".

Legionella: Empresa deve "assumir todas as responsabilidades"

Questionado sobre o último surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier, o ministro comentou ainda disponibilidade da empresa responsável pela manutenção das torres de refrigeração do hospital para “assumir responsabilidades”, defendendo que a empresa "não só pode como, acho, deve".

Ressalvando não caber ao ministro "antecipar-se aquilo que é o trabalho das autoridades judiciais, da Inspecção-geral das Actividades em Saúde e sobretudo do Ministério Público”, o ministro entende que seja natural, apuradas responsabilidades, que os responsáveis as assumam.

O surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier provocou, de acordo com a última actualização das autoridades, 5 mortos e 51 infectados pela bactéria.

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