www.cmjornal.ptRicardo Rio - 15 nov 00:30

Panteãominices

Panteãominices

Geração de receitas próprias dos ativos culturais e patrimoniais é um imperativo.
Vivemos tempos estranhos em que a essência dos assuntos se mascara em função das reações mais ou menos inflamadas que a opinião pública e publicada – nos media ou nas redes sociais – brinda a cada um dos temas em apreço.

A manutenção e conservação do nosso património cultural exige um nível de recursos que as parcas dotações dos orçamentos do Ministério e suas entidades dificilmente conseguirão cobrir.

A margem para reforço de tais verbas, no atual e em qualquer cenário próximo, será sempre residual. É uma questão de prioridades, seguramente, mas não faltam alternativas de aplicação dos recursos públicos igualmente justificáveis.

A criação de oportunidades de geração de receitas próprias dos diversos ativos culturais e patrimoniais é assim um imperativo, que junta o "útil ao agradável": a obtenção de meios para suportar tal investimento com a colocação de tais espaços à fruição da população nos mais diversos contextos.

Naturalmente, tal gestão deve ser enquadrada por um conjunto de procedimentos e critérios claros e regulada pelo bom senso dos decisores.

Por exemplo, seria impensável alugar um qualquer monumento para um evento cujo risco de degradação superasse o retorno gerado pela sua cedência. Curiosamente, a lei trata de vetar apenas a utilização para fins políticos ou sindicais numa vertigem de preconceito para com estas atividades que só pode contaminar o entorno da sociedade civil…

O mesmo bom senso deveria determinar que espaços como o Panteão Nacional – que servem de tributo à nossa memória coletiva – teriam de ficar excluídos deste regime.

E, para tal, não seria preciso rever qualquer Lei, demitir nenhuma responsável de entidades da tutela, avançar com uma moção de censura ou termos de lidar com tweets exacerbados do próprio Primeiro-Ministro.
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