expresso.sapo.ptPaula Santos - 15 nov 13:22

Não se persista na injustiça

Não se persista na injustiça

Opinião de Paula Santos

Os professores estão hoje em luta! Os professores sentem-se injustiçados quando o Governo propõe apagar 9 dos últimos 12 anos. 9 anos em que os professores estiveram nas escolas, 9 anos em que os professores deram o seu contributo para a qualificar o processo ensino/aprendizagem. Não se pode apagar 9 anos de trabalho, muitas vezes exercido em condições muito difíceis.

Os professores estão hoje em luta para que o tempo que estiveram ao serviço não seja ignorado e que seja efetivamente contabilizado.

O problema que está hoje colocado quanto à contagem do tempo de serviço para efeitos de progressão da carreira afeta os professores, mas afeta também outros trabalhadores como os militares, profissionais das forças e serviços de segurança, profissionais de saúde e da justiça.

É justa esta luta. Não faz sentido que quando se coloca o descongelamento das carreiras haja trabalhadores que possam ficar de fora porque não se está a contabilizar todo o tempo de serviço que foi cumprido.

Já bastou as carreiras e as progressões estarem congeladas durante anos e anos. Não se pode persistir na injustiça como se todo esse tempo não tivesse existido. Já bastou os anos de cortes nos salários, de aumento de impostos sobre os rendimentos de trabalho e de retirada de direitos, desvalorizando o trabalho e os trabalhadores.

O tempo de serviço tem de ser todo considerado para efeitos de progressão da carreira. Lamento que o Governo só se tenha disponibilizado para reunir com os sindicatos na véspera da greve marcada. O Governo tem de encontrar com as organizações representativas dos trabalhadores uma solução que resolva a forma e o calendário para concretizar a respetiva expressão remuneratória.

Não se pode esquecer que neste período de congelamento de carreiras e de ataque aos direitos dos professores, estes foram expolidos em cerca de 8 mil milhões de euros. Obviamente que a progressão nas carreiras tem impactos orçamentais, contudo importa encontrar uma solução para a sua concretização, mais ainda quando os professores são os primeiros a mostrar disponibilidade para, no quadro da negociação coletiva se encontrar um calendário faseado.

O descongelamento das carreiras tem de ser para todos os trabalhadores da Administração Pública. E todos os trabalhadores que reúnam as condições devem progredir na carreira já a partir de 2018.

Dando expressão à justa reivindicação dos professores e dos trabalhadores, o PCP não deixará de intervir em sede de especialidade de Orçamento de Estado para clarificar que todo o tempo de serviço deve contar para a progressão na carreira.

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