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Boeing responde à Airbus com encomenda de 225 aviões 737 Max

Boeing responde à Airbus com encomenda de 225 aviões 737 Max

Depois de a construtora europeia Airbus ter anunciado esta manhã a maior encomenda da sua história – 430 aviões da família A320neo, a Boeing garantiu a compra de 225 aviões do seu renovado modelo para o segmento de médio-curso, o 737 Max.
A Airbus e a Boeing têm estado a competir taco-a-taco por encomendas no Dubai Airshow, o salão aeronáutico deste emirado que hoje termina. E esta manhã, já depois de o construtor europeu ter anunciado a maior encomenda da sua história, aBoeing respondeu com outra grande encomenda, com aFlydubai a comprometer-se a comprar 225 aviões da família 737 Max, a versão renovada do seu avião mais bem-sucedido para o médio curso.

A Flydubai, companhia low-cost que opera na região do Médio Oriente, comprometeu-se a adquirir 175 aviões 737 Max e assegurou direitos de compra sobre outros 50 aviões desse modelo, anunciou a Boeing em comunicado. O negócio está avaliado em 27 mil milhões de dólares (22,8 mil milhões de euros, na cotação actual) e prevê, na primeira leva de 175 aeronaves, a aquisição de pelo menos 50 aviões 737 Max 10, o modelo mais comprido da classe, que pode transportar até 230 passageiros.

A top attraction at the Dubai Airshow is the first peak at the new interior of @flydubai 's #737MAX 8. Take a look! #DAS17 pic.twitter.com/jaZnjfQk2M

— Boeing Airplanes (@BoeingAirplanes) November 14, 2017

Os restantes aviões serão distribuídos entre as versões 8 (até 200 passageiros) e 9 (até 220 passageiros). Os Boeing 737 Max são uma versão melhorada do modelo 737, com novos motores CFM Leap 1B que são 40% mais silenciosos que os actuais modelos e garantem uma redução de 14% no consumo de combustível. Este tipo de aviões é muito procurado por companhias low-cost, porque assegura uma grande eficiência na operação e, uma vez que em regra existe apenas uma classe a bordo – económica – é possível garantir um número considerável de lugares em cada viagem.

#DAS17: proud to share our largest single commercial announcement ever with Indigo Partners' four portfolio airlines following the signature of a Memorandum of Understanding for 430 #A320neo Family aircraft - a deal worth nearly $50 billion at list prices. An Airbus record! pic.twitter.com/fX3lcLnmgK

— Airbus (@Airbus) November 15, 2017

Esta manhã, aliás, a Airbus anunciou uma encomenda histórica do modelo que compete directamente com os 737 Max no médio-curso: a Indigo Partners, do investidor norte-americano Bill Franke, fez uma encomenda de 430 aviões da família A320neo, aeronaves que também são versões melhoradas dos actuais A320, igualmente com motores da CFM que garantem menor consumo e ruído, mas estes de modelo Leap 1A. O negócio está avaliado em 50 mil milhões de dólares (42 mil milhões de euros à actual cotação).

A compra dos 430 aviões tem como destino, através de ‘leasing’ (aluguer operacional), as companhias low-cost em que a Indigo Partners é accionista: a Frontier Airlines, dos EUA receberá 134 aparelhos, a JetSmart, do Chile, ficará com 70, a Volaris, do México, terá 80 aeronaves e a húngara Wizz Air, que voa para Portugal, ficará com a maior fatia desta encomenda: 146 aparelhos.

Mercado dos aviões grandes em crise

A compra dos A320neo da Airbus é a maior da história do fabricante sediado em Toulouse, França, e a aquisição dos 225 aviões 737 Max é uma das maiores da Boeing, o que mostra que o mercado aeronáutico continua com grande apetite principalmente no segmento do médio-curso, optando por aeronaves que podem ser rentabilizadas em companhias de baixo custo.

Os negócios nos aviões de longo curso (‘widebodies’) foram bem mais escassos e a Airbus não conseguiu sequer que o seu principal cliente do maior avião comercial do mundo, o A380, pedisse mais aviões desse modelo. Nem sequer conseguiu que a companhia do Dubai optasse pelo A350, o novíssimo avião para o longo curso: a Emirates preferiu comprar 40 aviões da Boeing, na versão Dreamliner 10, que pode transportar até 330 pessoas.

Há, aliás, receios de que a produção dos A380 possa parar devido à falta de encomendas. Aliás, a Emirates só quer comprar novos A380 depois de receber uma garantia do fabricante sediado em França de que as linhas de produção continuarão a funcionar durante pelo menos 10 anos.

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