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Investigação - Forças Armadas contratam empresa suspeita de corrupção

Investigação - Forças Armadas contratam empresa suspeita de corrupção

Empresas arguidas na Operação Zeus continuam a fornecer messes. A investigação policial contou com um infiltrado das Forças Armadas

O jornal Público revela na edição desta quarta-feira que o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) entregou por ajuste direto um fornecimento de bens alimentares à empresa "Pac e Bom", dois meses depois da mesma ter sido constituída arguida na "Operação Zeus", que investigou uma rede de corrupção envolvendo as messes da Força Aérea.

O EMGFA confirmou ao jornal que a adjudicação "decorreu de um concurso público que, por razões de tramitação procedimental, não se concluiu". A "Pac e Bom", que apresentou o preço mais baixo, acabou por beneficiar do ajuste direito destinado a fornecer 13 453 euros de produtos hortícolas para o pólo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas.

Questionado pelo jornal sobre se tencionava continuar a contratar por ajuste direto empresas suspeitas de corrupção, o EMGFA não respondeu.

Recorde-se que em resultado da investigação conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, como apoio da Polícia Judiciária Militar, há 86 pessoas constituídas arguidas, dos quais 46 são empresários e 40 são militares. O esquema passava pela sobrefaturação dos fornecimentos, com os militares, entre os quais um general e outros oficiais, a serem corrompidos pelas empresas. São suspeitos de associação criminosa, corrupção ativa e passiva agravadas, falsidade informática e falsificação de documentos.

Segundo contam também o Publico, o Jornal de Notícias e o Expresso, toda esta operação contou com um militar que serviu de infiltrado no esquema de corrupção. O major foi aliciado pelos corruptos e denunciou tudo à hierarquia. Em acordo com a PJ fingiu ter alinhado com o esquema e foi fotografando e gravando conversas, que se revelaram essenciais para a investigação. De acordo com o JN militar, que esteve infiltrado desde novembro de 2015 e finais de 2016, está sujeito a medidas de proteção especial num organismo de Estado. A ação encoberta era do conhecimento de apenas alguns inspetores da PJ e da PJM, do chefe do Estado-Maior da Força Aérea e de um tenente-general. O militar teve de abandonar a Força Aérea para sua segurança.

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