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José Sócrates - ″Como é que provam que o dinheiro era meu?″

José Sócrates - ″Como é que provam que o dinheiro era meu?″

Sócrates defende-se da acusação com o facto de não ser titular de qualquer conta na Suíça por onde circulou o dinheiro. "Um embuste"

"Não encontram na acusação um único testemunho, nenhum documento nenhum cartão, nenhum título que me dê acesso a esse dinheiro [das contas na Suíça] ", disse hoje José Sócrates em entrevista à RTP, reagindo ao despacho de acusação do Processo Marquês, em que é acusado da prática de 31 crimes, três de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada. O MP considera que Carlos Santos Silva foi o testa-de-ferro que recebia o dinheiro em contas da Suíça e que Sócrates recebeu mais de 34 milhões de euros originários de corrupção. "Nunca. Não fui um primeiro-ministro corrupto", respondeu Sócrates na RTP.

O antigo primeiro-ministro considerou que "grande parte desta acusação não passa dos insultos habituais do Ministério Público", e escudou-se no facto de não ser o titular de nenhum conta bancária na Suíça, por onde circulou o dinheiro. "Ainda ninguém fez a sua pergunta: como prova o MP aquilo que diz?", questionou, rejeitando que tenha recebido o dinheiro através de entregas em numerário (151 levantamentos das contas de Carlos Santos Silva em quatro anos) e pagamentos de despesas, como viagens e outras. "Como podem dizer que pelo facto do meu amigo levantar dinheiro me iria entregar a mim?" Sobre os empréstimos do amigo Carlos Santos Silva, José Sócrates afirma que achou normal a sugestão do empresário em lhe entregar em numerário."Foi uma decisão dele e eu aceitei. Era melhor assim", justificou.

Sobre a atuação no condicionamento da OPA da Sonae à PT, a pedido de Ricardo Salgado, Sócrates diz que é falso e volta a questionar: "Onde encontram uma prova disto? Em que se fundamentam?" E volta a classificar como "invenção, fábula", a acusação do MP. "Nunca me encontrei com Ricardo Salgado antes de 13 de outubro de 2006", referindo-se ao facto de na acusação ser referido que entre 1 de março e 18 de abril do mesmo ano foi combinada a oposição à OPA.

Quanto ao TGV e ao alegado favorecimento do grupo Lena, Sócrates nega a acusação e disse que foi um júri que tomou as decisões. "Estou acusado de ter colocado uma alínea no articulado, mas isso esbarra nas provas".

Em relação a Vale do Lobo, José Sócrates começou por lembrar que havia sido acusado, na imprensa, de ter elaborado o PROTAL para beneficiar o empreendimento turístico, o que não veio a figurar na acusação. "Então viraram-se para o financiamento", apontou e logo recorreu à acusação para dizer que ali só refere que Sócrates deu "conforto político à decisão da Caixa e nomeou Armando Vara para administração. "É mentira. Não fui eu. Teixeira dos Santos já disse que o primeiro-ministro não pressionou. Disse: 'armando Vara foi escolha minha'"

A finalizar a entrevista, José Sócrates irritou-se com o jornalista Vítor Gonçalves após a pergunta sobre que rendimentos tem hoje para viver. "O que é que tem a ver com isso? Isso é indigno do jornalismo. Vivo de uma única coisa, a minha pensão de deputado."

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