observador.ptobservador.pt - 13 out 17:38

Estudo contradiz tese de que os habitantes da Ilha de Páscoa contactaram com americanos

Estudo contradiz tese de que os habitantes da Ilha de Páscoa contactaram com americanos

Os rapanui (habitantes da ilha de Páscoa) não contactaram com o povo americano antes da chegada dos europeus. Um estudo americano revela que este povo não conviveu com outros grupos.

Os rapanui, os habitantes nativos da Ilha de Páscoa (uma ilha da Indonésia, no Pacífico), não tiveram nenhum contacto com os americanos até à chegada dos europeus à região – ou, pelo menos não deixaram rasto, se o tiverem tido. De acordo com um estudo publicado na revista Current Biology, este povo nunca conviveu com outros grupos antes da chegada dos europeus àquela ilha.

A investigação americana comparou o ADN dos restos dos habitantes que ocupavam a ilha de Páscoa antes da chegada dos europeus com o ADN de pessoas que a habitaram durante os últimos dias daquela civilização. Ao todo, foram analisados cinco amostras de material genético – três diziam respeito ao período anterior a 1722 (antes da chegada dos europeus) e duas que pertenciam a indivíduos nascidos entre o século XIX e XX.

Os resultados mostram que os habitantes não tiveram contacto algum com outras comunidades humanas até à chegada dos colonizadores europeus milhares de anos depois.

Apesar de não ter sido deixado “rasto genético”, a possibilidade de um contacto cultural não é descartado, conclui o estudo. Estas conclusões põem em causa outras investigações prévias que defendiam que houve efetivamente contacto.

Para o mexicano José Víctor Moreno Mayar, a investigação, além de “exagerada e precipitada”, apresenta algumas fragilidades, isto porque existe uma proximidade temporal entre a data do possível contacto e a data dos restos analisados. O investigador, que defende a tese de que houve contacto entre os dois povos antes da chegada dos europeus disse ao El País que “com três amostras é apressado descartar que houve um contacto pré-colombiano entre nativos americanos e polinésios”.

A história dos rapanui ainda permanece cheia de mistérios. Terá sido há dois mil anos que a civilização Polinésia começou a habitar aquela zona, deixando para trás várias estátuas que aquele povo erguia em representação de deuses dos antepassados e parentes dos antigos habitantes da ilha.

Os rapanui desapareceram praticamente todos antes da chegada dos primeiros colonizadores europeus. As razões apontam para uma falta de recursos para a sua sobrevivência e para uma guerra entre diferentes tribos. Os restos da civilização foram destruídos em meados do século XIX, quando escravos ocuparam a ilha.

1
1