www.cmjornal.ptEdgardo Pacheco - 13 out 01:30

Praxar em Lisboa é giro e tranquilo

Praxar em Lisboa é giro e tranquilo

Em Lisboa, a humilhação que atinge estudantes não chega para abalar a sociedade, PSP ou os jornalistas.
Espanta-me como é que os responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa, as agências de viagem, os hoteleiros e as associações de estudantes ainda não transformaram o praxismo universitário num produto turístico exportável. Deve ser – no caso das associações académicas – porque gastam tanta energia com as coreografias praxistas que não lhes sobram dois neurónios para explorar o potencial negócio.

Vejamos. Lisboa está na moda, as companhias low cost ainda funcionam, a comida é boa e variada, a bebida é a preço de saldo e a liberdade de fazer xixi em qualquer local público é total (contra árvore, carros e paredes).
Depois, os lisboetas não se indignam com os bandos de tipos vestidos de grilo a humilhar centenas de miúdos que não têm outra opção que não participar nas palhaçadas. Nem os lisboetas nem, de resto, a PSP, que assobia para o lado.

Hoje, se um tipo for apanhado a maltratar um animal vai – e bem – prestar contas à justiça, mas se um jovem for vítima de abusos variados por parte energúmenos de capa e batina, não passa nada. A Alameda Afonso Henriques transforma-se numa arena degradante, mas nenhum carro da PSP encosta na lateral para se inteirar do assunto. Faz tudo parte da idade e tal, que os miúdos são giros.

E os jornalistas – já agora – também não se interessam muito com o assunto, a não ser, claro está, se a coisa meter mortos ou fraturas expostas. Aí, sim, exploram o filão até à náusea.

De maneira que, caros dirigentes associativos, toca a vender o produto lá para fora. Vá lá, façam uma startupzinha tipo Humiliate in Lisbon. Com sorte ainda têm apoios do Turismo de Portugal e de uma ou outra marca cervejeira. Não custa nada. E é dinheiro em caixa.
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