www.cmjornal.ptFrancisco José Viegas - 12 out 01:30

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Houve um tempo em que a Finlândia era o modelo.
Se na pátria de Sibelius as turmas de liceu tinham 17 alunos, nós expulsávamos o 18º.

Se na Finlândia tinham deixado de estudar sentados, em Portugal eliminavam as cadeiras. Se lá escreviam tudo em tablets, nós queimaríamos os cadernos.

Lembro-me de um primeiro-ministro, orgulhoso de as crianças da primária passarem – como na Finlândia – a desenhar formas geométricas nas aulas, não com giz num quadro, mas com a ajuda de um computador.

Ainda houve quem dissesse que desenhar um hexâmetro à mão era pedagogicamente mais indicado – mas para quê?

Havia a Finlândia, onde, aliás, deixaria de se escrever à mão. Ora, a Finlândia é um país belíssimo, mas tem muitas coisas idiotas.

O CM de anteontem comoveu-me com a imagem de Prakriti Malla, uma nepalesa de 14 anos que tem a mais bela caligrafia do mundo; a sua letra é maravilhosa, perfeita, pode ser lida por todos.

Sou um fanático de "escrever à mão": a letra manuscrita completa-nos, ajuda-nos a pensar melhor, a compreender melhor e cuidar da nossa língua. Vão lá à net ver a caligrafia de Malla.
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