expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 17 set 18:52

Governo espanhol retira à Catalunha 1400 milhões de euros por mês

Governo espanhol retira à Catalunha 1400 milhões de euros por mês

Em Espanha não há guerras a feijões. Madrid combate o referendo separatista na Catalunha, retirando milhões à autonomia, o que "seca" a sua tesouraria. Os catalães não cruzam os braços e querem recorrer para o Supremo Tribunal

Afogar financeiramente a Catalunha é a estratégia seguida pelo ministro das Finanças espanhol, Cristóbal Montoro, para "matar" o referendo separatista ilegal de 1 de outubro, convocado pelo presidente da Generalitat (administração autónoma da Catalunha), Carles Puigdemont.

De acordo com a imprensa espanhola de hoje, o Governo liderado por Mariano Rajoy adoptou uma estratégia dura. O palácio madrileno de La Moncloa decidiu inviabilizar a possibilidade da administração autónoma catalã adiantar pagamentos, congelando os 1.400 milhões de euros mensais que a Catalunha iria obter pelo sistema de financiamento consagrado a esta autonomia.

A estratégia do Governo da Moncloa não poderia - segundo alguns analistas - seguir uma atuação mais dura: "seca" os recursos financeiros da Generalitat. O Governo espanhol impôs o controlo da capacidade de endividamento da administração catalã, impedindo que uma eventual instabilidade de mercado originada na Catalunha, possa contagiar a dívida pública espanhola. Na perspetiva da dívida espanhola, esta estratégia já teve sucesso, porque a dívida soberana não foi afetada com a crise catalã.

Do lado dos responsáveis autonómicos catalães, citados pela imprensa deste domingo, há intenção de avançar para uma batalha jurírica, alegando que os instrumentos orçamentais utilizados pelo Governo de Madrid contrariam o princípio da liberdade de participação política.

A consequência prática das restrições financeiras aplicadas pelo Governo de Madrid na Catalunha será a paralização de diversos sectores da Generalitat, desde a área da cultura até à agricultura. Teoricamente, só funcionarão os sectores que asseguram a gestão de serviços públicos. Ou seja, a atividade económica da Generalitat fica esvaziada - e a imprensa espanhola admite que esse é o objetivo do ministro das Finanças, Cristóbal Montoro, porque seca o orçamento que sustenta a atividade económica do vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, um dos grandes defensores da independência catalã.

Madrid garantirá exclusivamente os pagamentos ao funcionalismo público, o que também será relevante para assegurar o pagamento dos efetivos da polícia. Mas não haverá mais dinheiro para sustentar políticas separatistas. Esta estratégia de Madrid já está a contar com a eventualidade de haver uma declaração de independência dos catalães até 4 de outubro. E faz as contas à situação complexa em que iria viver a Catalunha até ao final do ano, sentindo a falta de 1400 milhões de euros todos os meses.

Entretanto, a Guarda Civil da Catalunha apreendeu esta manhã de domingo cerca de 1,3 milhões de cartazes de propaganda separatista perto de Barcelona. O referendo separatista da Catalunha tinha sido suspendido por decisão do Tribunal Constitucional de Espanha.

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