visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 17 set 09:42

Tagliatella: O restaurante italiano que deixa o egoísmo fora da mesa

Tagliatella: O restaurante italiano que deixa o egoísmo fora da mesa

Abriu este verão no Parque das Nações, em Lisboa, e agora obriga-nos a usar demasiadas palavras italianas no texto que se segue. Mas a razão é boa – os produtos deste Tagliatella são mesmo genuínos e isso faz a diferença, ou melhor, la differenza
Garganelli alla Norma

Garganelli alla Norma

Assim que se sentar num dos 120 lugares do La Tagliatella, há de vir alguém à mesa avisá-lo de que as doses ali são para partilhar. E ainda bem, porque nos dias que correm ninguém gosta de desperdício nem que a comida fique na travessa.

Depois deste ponto prévio, venha de lá esse couvert (ou o chamado pão Tagliatella, €2,95) que é para se abrirem as hostilidades. Ou está à espera de sair levezinho de um restaurante italiano? Ainda para mais deste, onde garantem que os produtos vêm quase todos de Itália, como o queijo Parmigiano Reggiano, o salame da Calábria ou o presunto de Parma.

As três focaccia que trazem para a mesa, enquanto se olha para a longa ementa, são variadas e originais. Há de tomate e oregãos, azeitona e cebola - esta última merece um valente “nham”. A sangria de prosecco (vinho frizante) chega mais ou menos ao mesmo tempo e cai logo bem. Então, fica-se a saber que o Tagliatella abriu no início do verão (bendita esplanada de 60 lugares), que é o primeiro desta cadeia em Portugal e que abunda em Espanha (para aí uns 200, consta). Se este correr bem, e tem tudo para isso acontecer, também estará disseminado por Portugal não tarda muito.

Apesar de ser um italiano, também há tártaros e, mais óbvio, carpaccios, mas alguns diferentes do habitual. O de bacalhau (€14,9), por exemplo, leva tomate, azeitona, pesto e crumble de pistachio. E acompanha-o uma piadina (algo a meio caminho entre um pão e um pizza) para limpar o palato. "Não vem partida para que se sinta a crocância", explica João Almeida, o responsável por este restaurante, enquanto corta uma fatia à mão.

Depois de se ver na lista a fotografia da focaccia di Recco (€9,7), uma coisa muito fininha, com queijo provalone, ovo estrelado, pérolas de trufa e compota de pêssego, torna-se difícil não implorar por ela. E não defrauda: o sabor está ao nível da imagem, ou talvez até a supere.

Se a refeição tivesse parado por aqui, ninguém reclamava. Mas depois o leitor não ficaria a saber que as massas se escolhem pelo tipo (rigatone, spagheti ou farfalle, por exemplo), a que depois se junta um dos 18 molhos da lista (condimenti). Na mesa está agora um grande prato de tortellone verde caprese com molho calebrese (€14,45), recheados de tomate e mozzarella, e levam por cima tomate seco, manjericão, queijo grana padano, cebola com balsâmico e pinhão torrado. Houvesse estômago para tanto sabor intenso e não tinha ficado nem um exemplar de tortellone para contar a história. Mas é que já se sabia que estaria para chegar uma pizza (das 26 variedades existentes), que não é feita a lenha, mas num forno Morelloforni, com base numa massa de duas farinhas. Esta está coberta de mozzarella, claro, e com um creme de trufa e cogumelos (sim, por aqui adora-se este sabor nem que seja apenas em aroma), guanciale (um tipo de bacon), manjericão e ovo (tome nota, chama-se tartufo e guanciale e custa €12,85).

Nem deveria ser preciso escrever que não houve andamento para a sobremesa, apesar de terem vindo duas trufas (de chocolate...) e um pequeno tiramisu junto com o café. Pronto, lá terá de ser. E foi muito bem. Para próxima, há que voltar, à paisana, para conhecer mais umas especialidades a que se conseguiu deitar o olho em mesa alheia.

Tagliatella > Al. dos Oceanos, 57 A, Lisboa > T. 21 895 2018 > seg-dom 12h-16h, 20h-24h

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