www.dn.ptPaulo Baldaia - 17 set 01:00

Opinião Da Direção - Os arames da geringonça

Opinião Da Direção - Os arames da geringonça

A geringonça, que a maioria dos comentadores e políticos anteviam ser de curta duração, dura, dura e já vai para o terceiro Orçamento do Estado. Está presa por arames mas a rolar em terrenos tranquilos vale muito mais do que se previa.

O problema, para qualquer tipo de aliança ou coligação de partidos, é quando se entra em terreno eleitoral. Temos visto como os arames torcem, levando a que Catarina Martins e Jerónimo de Sousa já tenham dito que a geringonça não é repetível. António Costa não estranha a vontade de o Bloco e o PCP fazerem o seu caminho mas, na parte da entrevista que o DN publicou ontem, garantiu que "ficaria surpreendido se, com bons resultados e a satisfação dos portugueses, por qualquer razão de natureza partidária não fosse dada continuação a uma boa solução".

Costa sabe que a tempestade pode passar mas também sabe que no limite, no plano teórico, ela pode virar furacão. É por isso que também diz que Jerónimo e Catarina a chefiar o governo andariam ao mesmo ritmo que ele anda. Está tudo bem para o líder do PS, de tal forma que "as sondagens mostram" que os partidos da geringonça "não andam a comer o eleitorado uns dos outros". Se as autárquicas confirmarem as sondagens estará tudo bem, o Bloco e o PCP continuarão a fazer o seu caminho mas aprovarão o que tiver de ser aprovado.

E se o resultado das autárquicas mostrar que há uma transferência significativa de votos do PCP para o Bloco e para o PS? Alguém acha que Jerónimo de Sousa terá espaço de manobra na Soeiro Pereira Gomes para seguir cantando e rindo as maravilhas da geringonça? Num outro plano, se o Bloco não tiver um crescimento face às últimas autárquicas ou perder muitos votos em relação às legislativas, vai continuar a votar quase tudo o que o PS lhe põe à frente? E se é o PS vítima de uma transferência de votos para os seus parceiros, como vai lidar com eles?

Depois das autárquicas, a geringonça, para que os arames não quebrem, precisa que fique tudo como dantes no quartel de Abrantes.

1
1