expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 17 set 10:00

Descodificador: não é banco mau, é o quê?

Descodificador: não é banco mau, é o quê?

Solução para malparado junta Caixa, BCP e Novo Banco numa plataforma. Os contribuintes não pagam, diz o Governo
Qual é a solução para 
o malparado?

É um problema que se arrasta 
há anos, já esteve para ser 
um ‘banco mau’ ou uma solução 
feita à medida por privados, 
agora a ideia é criar um agrupamento complementar de empresas para gerir os créditos tóxicos da CGD, BCP e Novo Banco. 
É para lá que os bancos 
encaminharão os créditos problemáticos. O objetivo 
é recuperar ou reestruturar 
créditos e, quando isso não 
é possível, assumir perdas. 
É uma boa ou má solução? 
É a solução possível, dizem 
fontes financeiras. Foi feita com 
a contribuição dos bancos envolvidos, pelo que não terá a sua oposição. Tem uma vantagem face à atual situação: permitirá consolidar 
o malparado dos três bancos 
e fazer uma limpeza em conjunto, agilizando o processo.

O malparado sai dos bancos?

Não. Continuará no balanço 
dos bancos, caso contrário 
estes teriam de os abater, 
e isso, iria necessariamente 
obrigar a fazer (indesejados) aumentos de capital. Está 
ainda no segredo dos deuses 
que créditos e qual o montante 
dos mesmos será gerido 
por esta plataforma. Certo 
é que serão créditos de empresas que devem a um ou mais bancos e que eventuais perdas serão imputadas às instituições 
financeiras envolvidas. Poderá 
ser colocada nesta plataforma crédito malparado a partir 
dos €5000 milhões. Curiosamente, 
a solução chega numa altura 
em que o crédito tóxico diminui: 
no final de junho ascendia 
a €15,3 mil milhões, o valor 
mais baixo dos últimos cinco 
anos. Ainda não há data marcada para o arranque deste projeto, 
mas já se sabe que será gerido 
por José Correia.

Qual o papel 
do banco 
de fomento?

É uma questão que está 
longe de estar esclarecida, 
e é consensual junto dos 
analistas financeiros que 
há aqui também uma componente política. Ao que tudo indica, 
o banco de fomento (Instituição Financeira de Desenvolvimento) 
irá entrar neste processo 
para reestruturar créditos de empresas consideradas economicamente viáveis. 
Será ele quem irá injetar 
capital, já que os bancos 
muitas vezes não podem, 
nem querem, fazê-lo. 
O financiamento do banco 
de fomento seria feito pelo 
Banco Europeu de Investimento, o BERD ou investidores privados. Quem vai determinar quais as empresas serão os bancos, 
diz o secretário de Estado 
Mourinho Félix.

Vai estar envolvido dinheiro dos contribuintes?

Ao que parece não. 
Mourinho Félix garantiu 
esta semana que não 
estará envolvido dinheiro 
dos contribuintes, sublinhando 
que todas as eventuais perdas 
com o crédito malparado 
serão assumidas pelos 
próprios bancos. “Não há 
limpeza do balanço dos bancos 
com dinheiro público”, frisou, 
como acontecia em situações estudadas no passado. 
Não seria fácil, o Governo 
está de mãos atadas por regras 
de resolução e concorrência europeias que limitam os 
auxílios estatais e dificultam 
a criação de um bad bank ou 
de um veículo autónomo 
para gerir esses créditos problemáticos.

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