www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 17 set 13:15

"A solução para o malparado da banca não terá custos para os contribuintes"

"A solução para o malparado da banca não terá custos para os contribuintes"

Em entrevista ao DN, o primeiro-ministro deixa uma garantia firme de que o Estado não irá financiar a solução para os créditos malparados da banca.

Outro fator que pode ser visto como preocupante é o recurso ao crédito por parte das famílias portuguesas. Isso não revela, sobretudo o crédito para bens de consumo, uma tendência preocupante de regresso a uma lógica que deu problemas no passado?

Nós acreditamos que a reposição do rendimento das famílias é essencial para que estas possam ter um melhor nível de vida, que é essencial que a banca não cometa o erro de repetir a alocação essencial dos seus recursos ao crédito ao consumo e ao crédito à compra de casa própria, esses recursos devem ser cada vez mais direcionados para o financiamento das empresas, para o investimento empresarial, para o investimento produtivo criador de emprego e de riqueza. Acho que essa é uma noção que espero que todos tenhamos embora também perceba que as famílias, depois de tantos e tantos anos a adiar decisões em matéria de investimento, tenham agora de repor as coisas, há um limite, podemos adiar a troca do carro, mas há um dia em que o mecânico diz: Olhe, já não compensa arranjar.

A solução que parece ter sido encontrada para o crédito malparado, que demorou algum tempo a ser encontrada, ao que se sabe implicará uma intervenção do chamado banco de fomento. O senhor primeiro-ministro pode garantir que nunca, em circunstância alguma, esta solução que foi encontrada para o crédito malparado da banca terá custos para os contribuintes?

Isso foi um pressuposto desde o início. Qualquer solução nunca poderia ter custos para os contribuintes. A solução final que tem vindo a ser encontrada tem sido muito facilitada pela evolução da própria situação económica, alguns ativos de risco que eram vistos como de grande risco na área do imobiliário há dois anos, hoje, pelo contrário, são vistos como ativos de grande valor. Acho que a solução que está a ser estabilizada é inteligente e original; é centrada em primeiro lugar na criação de condições para empresas que são economicamente viáveis poderem ter soluções com os seus credores bancários que lhes permitam repor a atividade e gerar o rendimento necessário à satisfação dos créditos que têm. Tem a vantagem de ser uma solução onde o Estado intervém pouco e que resulta mais da ação cooperativa entre os diferentes bancos e centrada naquelas empresas que têm créditos em múltiplos bancos e onde uma atuação descoordenada por parte dos credores não só prejudicaria os seus próprios interesses como os dos próprios devedores.

Portanto, a solução final que estará brevemente em condições de ser apresentada é um passo em frente tendo em conta que os bancos que têm um maior nível de exposição aos NPL [non-performing loans] são bancos que conseguiram reforçar ao longo deste ano os capitais próprios para poderem acomodar melhor nos seus balanços a gestão destes ativos. É o caso da Caixa, é o caso do BCP e será brevemente o caso do Novo Banco.

Pode ler a entrevista na íntegra aqui.

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