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Saúde - Governo tem uma semana para apresentar proposta aos enfermeiros

Saúde - Governo tem uma semana para apresentar proposta aos enfermeiros

Dois sindicatos que marcaram a greve da última semana ameaçam com nova paralisação em outubro. Todas as estruturas sindicais dos enfermeiros reúnem-se na próxima semana

Uma semana. É este o tempo que o Sindicato dos Enfermeiros (SE) e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE), que marcaram a paralisação de cinco dias que se realizou na semana passada, dão aos ministérios da Saúde e das Finanças para apresentarem uma contraproposta ou dar início às negociações. Caso não aconteça, avançam com o anúncio de uma nova greve a realizar em meados de outubro e que poderá ser por tempo indeterminado. certo há já o pré-aviso de greve do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) para o início do mês depois de uma reunião inconclusiva com o ministério. A Ordem está a promover um encontro com todos os sindicatos na próxima semana.

"O Ministério da Saúde tem até ao dia 22 para apresentar uma contraproposta ou dar início às negociações ou avançamos com um novo pré-aviso de greve, que será mais dura, com maior exigência em relação ao serviços mínimos. Pode ser de um, dois, três dias ou tempo indeterminado a realizar em meados de outubro", diz ao DN José Azevedo, presidente do SE, que assegura que os cuidados fundamentais aos doentes estarão sempre assegurados. A proposta dos dois sindicatos é a criação de uma carreira com três categorias - diretor, enfermeiro especialista e enfermeiro - divididas por vários níveis e com revisão salarial faseada que colocaria um especialista no primeiro escalão a ganhar 2400 euros.

O anúncio é feito depois de cinco dias de greve, que José Azevedo estima ter levado ao cancelamento de 9 mil cirurgias programadas, e de uma manifestação que levou milhares de enfermeiros para a rua. Anunciada está já uma outra greve, esta do SEP, entre 3 e 5 de outubro, de pois de mais uma ronda negocial sem conclusões. Está marcado para a próxima quinta-feira um encontro, promovido pela Ordem, entre todos os sindicatos com o objetivo de garantir uma linha única de ação. Mas o consenso poderá não será fácil de atingir.

"A nossa proposta está bem fundamentada e a nossa tabela foi calculada de forma muito razoável. Tivemos um grande apoio dos enfermeiros e não os vamos defraudar. Estamos de braços abertos se o SEP se quiser juntar à nossa propostas de acordo coletivo de trabalho", diz José Azevedo, para ser mais taxativo: "O objetivo será eles aderirem à nossa proposta porque não há outra solução, o que implicaria terem de desmarcar a greve deles, e aderir um novo calendário de luta".

Guadalupe Simões, dirigente do SEP, afirma que o sindicato "está sempre disponível, para com as outras organizações, discutir convergências nas ações e para a união que os enfermeiros tanto exigem". Sobre a reunião e a posição do SE, acrescenta que o "SEP vai com tudo em aberto" e que "a perspetiva é discutir pontos em comum que valorizem a enfermagem".

Sobre a entrevista do primeiro-ministro ao DN, em que este afirma que os enfermeiros serão os mais beneficiados com o descongelamento da carreira, Guadalupe Simões afirma que "enquanto não tivermos dados concretos sobre a proposta de progressão das carreiras, é apenas uma informação dada pelo primeiro-ministro".

Também José Azevedo espera por dados mais concretos e lembra que os enfermeiros foram dos mais prejudicados com a carreira reduzida a uma única categoria e progressões congeladas. "Os enfermeiros para ficarem iguais aos outros têm de ter um tratamento diferenciado."

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