expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 17 set 16:58

Diz que vêm aí mais comboios

Diz que vêm aí mais comboios

Com uma elevada percentagem de comboios lotados, a CP aguarda um concurso - o primeiro em 20 anos - para comprar mais material circulante

A CP tem uma janela de oportunidade para poder comprar mais comboios, o que não faz há cerca de 20 anos. Razão para se dizer que mais vale tarde que nunca. Até poderia ser este o lema da compra de novos comboios pela CP, mas o jornal Público diz que o lema é diferente: "Já que a infraestrutura não se adapta aos comboios, os comboios adaptam-se à infraestrutura".

Isto significa que, como não há investimentos para mudar a bitola das linhas portuguesas, de ibérica para europeia, a CP e o Governo preparam um concurso para comprar comboios híbridos, de bi-tensão e de bi-bitola.

Ou seja, segundo o jornal Público, a CP quer comprar mais comboios que funcionem ao mesmo tempo a eletricidade e a diesel, que funcionem à tensão portuguesa de 25 mil volts e à tensão espanhola de 3 mil volts e que possam circular em linhas com bitola ibérica e bitola europeia.

A novidade da compra de material circulante polivalente - estes são comboios mais caros que os tradicionais que não são híbridos, que funcionam com uma só tensão elétrica e que têm os rodados ajustados a ums bitóna única - permitirá à CP resolver parte do seu atual problema de falta de comboios para responder ao elevado nível de procura que tem nas principais ligações ferroviárias.

Há cerca de duas décadas que a CP não compra comboios. Para resolver o seu problema crónico de falta de meios, a CP tem vindo a alugar comboios espanhóis, por ser essa a solução menos onerosa.

Também tem adaptado comboios a meio da sua vida útil, como está a fazer com os comboios Alfa Pendulares. E ainda aluga automotoras espanholas, ao mesmo tempo que trabalha com outras automotoras próprias que começaram a operar nos anos 50.

A CP também tem em operação um dos comboios mais antiquados da Europa, na linha de Cascais, que é precisamente uma das linhas que tem mais potencial turístico na zona de Lisboa, embora permaneça isolada da restante rede ferroviária nacional. Nos comboios de Cascais a CP vai fazendo sucessivas recuperações, reabilitações, remotorizações e substituições dos rodados.

Ao longo dos 20 anos em que não compraram comboios, os problemas da CP têm vindo a ser adiados sucessivamente, de Governo para Governo, chegando aos dias de hoje com uma frota envelhecida, que em breve será confrontada com a data de liberalização do transporte de passageiros - que ocorrerá em 2019 -, que permitirá a entrada de operadores estrangeiros em Portugal para disputarem o transporte ferroviário nacional.

1
1