www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 17 set 10:00

Exportações. Calçado a caminho de novo máximo histórico

Exportações. Calçado a caminho de novo máximo histórico

MICAM Portugal está representado na maior feira de calçado do mundo com 96 empresas. Setor representa 550 milhões em exportações

A maior feira de calçado do mundo, a Micam, arranca hoje em Milão, Itália, e Portugal marca presença com 96 empresas, responsáveis por 550 milhões de euros de exportações e 8300 postos de trabalho. E que serão visitadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e pelos secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante, e da Indústria, Ana Lehmann. Pelo certame, que dura até quarta-feira, passam mais de 40 mil visitantes. Portugal volta a ser a segunda maior delegação estrangeira, apenas superado pela Espanha. No total, a Micam tem 1600 expositores de aproximadamente 50 países.

Nos primeiros sete meses do ano, as exportações portuguesas de calçado subiram 4,5%, para 1204 milhões de euros, o que leva a indústria a admitir já que 2017 possa ser o oitavo ano consecutivo de crescimento das vendas ao exterior, com um novo máximo histórico. As vendas para a Europa aumentaram 3,1%, para 1039 milhões, enquanto os mercados extracomunitários estão a crescer 14,1%, para 165 milhões de euros.

Destaque especial para o mercado angolano, que duplicou as compras à indústria (12,5 milhões de euros), tal como a Rússia, que cresce 88,2% (22,3 milhões). As vendas para os EUA crescem 2,8% (42,8 milhões) e 27,4% para o Canadá (15,7 milhões). Positiva é também a evolução para a Alemanha (8,7%) e para a Holanda (5,4%). França, o principal destino das exportações de calçado, regride ligeiramente, para 258 milhões de euros (-0,7%). O Reino Unido cai 4,4%, ficando-se nos 69 milhões de euros.

Desde 2009, as exportações do setor passaram de 1200 milhões para cerca de 1923 milhões de euros no final do ano passado, o que representa um aumento de 60%. Mas o número de empresas está também a crescer, bem como o emprego. Dos 9500 postos de trabalho criados pela fileira desde 2010, só o calçado foi responsável 6528 lugares.

A Ropar, detentora da marca Arcopédico, é uma das 96 empresas presentes na feira e que só neste ano já contratou 40 novos funcionários. Dá emprego na sua fábrica a 110 pessoas, a que se juntam mais 50 nas lojas da marca. Élio Parodi admite que não só não é fácil encontrar trabalhadores como há uma grande rotatividade. “Por cada dois que entram, só um fica”, diz. A empresa, especializada em calçado ergonómico, lançou no ano passado a sua gama Easy Walk, para um público mais jovem, e que está a ser “muito bem recebida” no mercado: “Os nossos distribuidores estão muito entusiasmados com este novo produto e, ainda agora, vi que temos encomendas de sete mil pares para a Austrália”, diz o gestor da empresa.

E enquanto aguarda pelo registo internacional de uma nova patente em calçado ergonómico – a patente anterior já caducou e a marca Arcopédico é copiada em todo o mundo – a Ropar prepara-se para arrancar em breve com um investimento de três milhões de euros na ampliação da fábrica em Vila do Conde, que passará dos atuais cinco mil metros quadrados para 15 mil. Um projeto que será candidatado ao Compete 2020, mas que “não depende” dos fundos comunitários para avançar.

O objetivo é duplicar a faturação, atingindo até 2025 os 30 milhões de euros. As obras vão levar cerca de dois anos, devendo estar concluídas em 2019, ano em que Élio Parodi admite ter já o registo internacional concluído e arrancar em força com os novos artigos. “Vai ser um ano em grande”, sublinha.

A indústria do calçado submeteu já cerca de cem projetos ao Compete 2020 e até ao final de setembro irá submeter oito projetos aos vales de inovação no âmbito da indústria 4.0.

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