www.cmjornal.ptFrancisco Moita Flores - 17 set 01:31

O Manicómio

O Manicómio

A criatura que faz de ministro da defesa até na inexistência de crime acredita.
A memória dos homens é cada vez mais curta. A voragem da informação impele ao rápido esquecimento, à diminuição da atenção crítica, ao abandono de problemas, rapidamente ultrapassados por primeiras páginas que levantam novos problemas e novos focos de atenção.

O esquecimento torna-se, assim, a arma mais poderosa de oportunistas, irresponsáveis e de mais uma corte de criaturas de imputabilidade duvidosa que induzem, naqueles que têm memória, a dúvida se estamos num país ou num manicómio.

O assalto aos paióis de Tancos deu brado. Ofuscou, até, o noticiário sobre a terrível tragédia de Pedrógão Grande.

Não admira. O crime punha em causa a soberania do Estado, a nossa segurança coletiva, o prestígio do País.

O frenesim foi tal que até os partidos da geringonça ficaram perturbados. O senhor que faz de Ministro da Defesa teve de se chegar à frente.

As polícias avançaram. Até o Presidente foi obrigado a intervir. Não era para menos. Um assunto grave que revelava a debilidade do Estado.

O caso levou à demissão de comandantes, exoneração de generais e, passados poucos dias, já se sabia que a PJ tinha dado passos positivos no sentido de identificar os responsáveis.

Apesar do alarido e da gravidade da situação, tudo parecia encaminhar-se para uma solução do caso criminal.

Eis que, de repente, a criatura que faz de Ministro da Defesa dá uma entrevista em jeito de balanço do seu desastrado mandato e põe como hipótese não ter havido nenhum assalto. Não sabe nada, mas até na inexistência de crime acredita. É claro que o sujeito continuará a fazer de Ministro. Deus o conserve lá muitos anos.

Sabe-se, pela história recente, que quem vem a seguir é ainda mais incapaz. Agora será interessante saber porque carga de água o Presidente exigiu responsabilidades num caso que possivelmente… não existiu.

Somos capazes de não estarmos todos doidos, mas para lá caminhamos. Ai, caminhamos, sim senhor!
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