www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 17 set 10:02

Rating. País está em melhor posição para atrair investidores

Rating. País está em melhor posição para atrair investidores

Redução dos juros da dívida poderá ser o primeiro impacto da subida do rating, pela S&P, para um nível de investimento

Amanhã, quando abrirem os mercados, é provável que os juros da dívida soberana portuguesa transacionada no mercado secundário desçam face aos valores registados na última sexta-feira, antes de conhecida a decisão da Standard & Poor’s (S&P), de tirar Portugal do nível lixo para o elevar a um patamar de investimento. É expectável que as próprias bolsas reajam de forma positiva.
Deverão ser estes os primeiros impactos visíveis da subida do rating (nota emitida por agências de classificação de risco sobre a qualidade de crédito), a par de uma descida dos juros na próxima quarta-feira, quando Portugal voltar ao mercado para leiloar dívida junto de investidores institucionais, como já aconteceu no leilão da última quarta-feira, assinala Luís Tavares Bravo, da Dif Broker.

Uma diferença considerável é que, agora, mais investidores podem comprar dívida portuguesa, como fundos de pensões, que só estão autorizados a investir em dívida com classificação de grau de investimento, refere Carlos Almeida, do Banco Best.

Bom para empresas e bancos

Antes de chegar ao bolso do cidadão comum, o impacto da decisão da S&P (que foi a primeira das três grandes agências a subir o rating) far-se-á sentir também nas empresas e nos bancos que, por arrasto, verão os seus ratings melhorados e poderão fazer emissões de dívida mais barata, aponta João Pereira Leite, do Banco Carregosa.

Mas, o momento em que ocorre esta mudança coincide com dois timings importantes, quer em termos de políticas do Banco Central Europeu (BCE) quer na construção do próprio Orçamento do Estado (OE) para 2018.

No caso do BCE, Draghi anunciou no início de setembro que a instituição só revelará em outubro o que tenciona fazer com o seu gigantesco programa de compra de dívida do qual o país tem beneficiado. “Será mais difícil para o BCE deixar de incluir Portugal no seu programa de compra de ativos. Até agora só tínhamos o rating da DBRS. Era um risco, porque dependíamos de uma só agência”, reforça João Pereira Leite.

Em relação ao OE/2018, “permite ao Governo fazer fazer algumas apostas e criar componentes de desenvolvimento e captação de investimento, que fica agora muito mais favorecido”, explica Carlos Almeida. “Há efeitos em termos de poupanças no serviço da dívida, efeitos orçamentais. Dá uma pequenina folga na gestão do orçamento”, completa Luís Nazaré, do ISEG.

Por outro lado, a Ficht deverá fazer a sua avaliação a 15 de dezembro. “Se decidir tirar Portugal do lixo, isso é importantíssimo e o país terá bastante visibilidade no mercado”, lembra Albino Oliveira, da Patris. A Moody’s só irá rever o rating no próximo ano.

O certo é que “o país é mais estável para investir e isso tem repercussão nas decisões tomadas pelas empresas, podendo efetivar-se na criação de emprego”, perspetiva Luís Tavares Bravo.

Até lá, espera-se que a própria dívida do Estado baixe. Em agosto, atingiu 249,2 mil milhões euros, segundo o Banco de Portugal, o valor mais alto de sempre. No entanto, todas as previsões institucionais perspetivam uma descida. O FMI é o mais otimista: espera que a dívida fique nos 125,8% do PIB, este ano, e nos 122%, em 2018.

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