www.dinheirovivo.ptManuel Falcão - 16 set 11:00

Opinião. Por onde será o futuro?

Opinião. Por onde será o futuro?

As empresas de comunicação ainda olham para o passado e para os modelos de negócio sem saídas

A apresentação esta semana dos novos iPhones é um bom momento para fazer um ponto de situação da evolução dos aparelhos que usamos para comunicar. Desde o longínquo tempo, no início deste século, em que os telefones serviam apenas para telefonar, muita coisa mudou. De repente os novos telefones, que dão pelo nome de smartphones, servem essencialmente para outras coisas que não têm a ver com telefonemas. Nos últimos anos do século XX a nossa vida tecnológica organizava-se em redor de um computador, eventualmente portátil, com uma capacidade e uma velocidade que hoje são impensáveis. Hoje em dia a vida digital organiza-se em volta de smartphones, com uma capacidade de computação maior do que a generalidade dos PC dos anos 80 ou 90. As pessoas usam os telemóveis para ler notícias, ver vídeos, ouvir rádio ou música, para fotografar e filmar, para enviar e receber emails e para uma das dezenas de plataformas de mensagens instantâneas. Volta e meia ainda há quem os use para telefonar.

Cada vez que a Apple apresenta uma novidade relevante, em termos de software ou de hardware, desencadeiam-se uma série de mudanças que obrigam os publishers a repensar o futuro, como será a sua actividade daqui a alguns anos. Foi assim com os MacBook, foi assim com os iPods, com o iPhone há dez anos e, depois, com o iPad. A maior parte da navegação na internet já é feita em dispositivos móveis e à sua volta nasceu uma constelação de outros aparelhos – auscultadores conectados que podem receber alertas sonoros como os AirPods, aplicações para televisão na Apple Tv, colunas de som com um microfone que aceitam as suas ordens e as executam (desde encomendar uma pizza até escolher o conteúdo que se quer ver) como a HomePod, passando pelos Apple watches e sistemas de realidade aumentada. Todas as marcas concorrentes apressam-se a fazer dispositivos que replicam as tendências que a Apple vai introduzindo, aprofundando a espiral de inovação – e acentuando a diferença em relação a quem ignora as mudanças.

O grande problema que se coloca às empresas que produzem comunicação – seja informação seja entretenimento – é que continuam a olhar para a internet do passado, replicam modelos da world wide web, genericamente ainda não conseguiram encontrar, nem um sistema de distribuição, nem um modelo de negócio rentável para os novos dispositivos e hábitos que criam nos utilizadores. O maior problema que os grupos de media têm pela frente é encontrar o futuro. Se o não fizerem vão tornar-se, a prazo, irrelevantes – deixando para as empresas tecnológicas a definição dos conteúdos que vão usar.

Diretor-geral da Nova Expressão, Planeamento de Media e Publicidade

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