www.cmjornal.ptJosé Diogo Quintela - 16 set 01:30

Furacão ladra, a caravana passa

Furacão ladra, a caravana passa

Eh, pá, Senhor, construir uma arca? E a desflorestação? Prefiro apanhar a chuvinha.
De todas as imagens impressionantes da passagem do furacão Irma pela Florida, a que mais me emociona é a da auto-estrada cheia de carros a fugirem. É comovente, ver tantos milhões a escaparem à devastação graças a gasolina abundante e barata.

No entanto, há quem insista que, para proteger a humanidade de furacões como aquele, é preciso livrarmo-nos, justamente, da gasolina. É como se Noé dissesse a Deus: "Eh, pá, Senhor, construir uma arca? E a desflorestação? Prefiro apanhar a chuvinha".

Até se percebia, se houvesse uma relação inequívoca entre emissões de CO2 e furacões. Só que não há. Independentemente de o homem ser ou não responsável pelo aquecimento global, sabe-se que o AG não tem impacto na ocorrência ou intensidade de furacões.

Quem o diz é o IPCC (Painel Internacional para as Alterações Climáticas, da ONU), no seu relatório especial sobre eventos climáticos extremos, publicado em 2012: 'There is low confidence in any observed long-term (i.e., 40 years or more) increases in tropical cyclone activity (i.e. intensity, frequency, duration) after accounting for past changes in observing capabilities'.

E ainda: 'Low confidence in attribution of any detectable changes in tropical cyclone activity to anthropogenic influences (due to uncertainties in historical tropical cyclones record, incomplete understanding of physical mechanisms, and degree of tropical cyclone variability).

(Low Confidence é jargão para 'até 20%'. Deixo no original para não se perder nada na tradução. Pode-se consultar o documento em www.ipcc.ch.)

Sendo o relatório de 2012, é possível que desde então é que os furacões tenham começado a aumentar de intensidade. Só que em 2013 não houve furacões muito fortes. Em 2014, também não. Idem para 2015. E para 2016. Só agora, em 2017, é que se bateu o recorde de 12 anos sem furacões de categoria 4 ou 5 nos EUA.

Por mais poderosos que tenham sido o Harvey e o Irma, já se tinham registado furacões mais fortes, como o Camille, em 1969, ou o do Dia do Trabalhador, em 1935. Anos em que ainda não se tinha emitido o CO2 que, supostamente, controla o clima. O Irma não foi o furacão mais forte de sempre, foi só o furacão mais forte desde que há Twitter.

Ou seja, não tem havido mais furacões, nem furacões mais fortes. E os que há não estão relacionados com o aquecimento global. Apesar disso, insiste-se que a solução é a redução drástica de acesso à energia abundante e barata, aos combustíveis que ajudam a sair da frente destas tempestades que sempre ocorreram e vão continuar a ocorrer. No fundo, passar a fugir da borrasca como fazem, por exemplo, no Bangladesh. A pé. Devem ser muito amigos do ambiente, os bengali.

É como querer usar kriptonite para combater o Batman.

Quando o telefone ignora
A Apple apresentou o iPhone 8 e o X - lê-se 'dez'. Não me entusiasma. É estranho que a empresa tecnologicamente mais avançada do mundo se tenha esquecido do 9. Com erros destes, não prevejo um futuro brilhante.

O grande avanço do iphone X é o reconhecimento facial. Parece incrível, a capacidade do aparelho reconhecer as feições de milhões de pessoas. Mas não é assim tão difícil: como cada utilizador dá 1400 euros por telefone, basta identificar caras de parvo.

Não vou adquirir. Além de caro, a minha auto-estima anda por baixo e receio que o iPhone finja que não me conhece.

O povo unido jamais será sexy
Sou só eu a ficar desiludido com esta greve dos enfermeiros? Se calhar tem que ver com o tipo de filmes a que assisti na juventude, cinema independente e de autor, mas no meu imaginário a ideia de enfermeiras a protestar era uma coisa mais sexy. 

'Ai, sr. Quintela, não seja maroto! Hi, hi, hi! Vou fazer queixinhas à dra. Sandra e vamos ter de o castigar com tautau'. Nada a ver com esta gritaria que temos agora.

O sindicalismo já nos tinha estragado a fantasia da professora safada (obrigadinho, Ana Avoila), agora isto.

O pénis dela
Em Inglaterra, um violador condenado mudou de sexo e, consequentemente, de estabelecimento prisional.

Na penitenciária feminina para onde foi transferida o ano passado, a reclusa transgénero teve agora de ser colocada em solitária, uma vez que anda a atacar sexualmente as outras presas com, e cito o Daily Mail, 'o pénis dela'. Pelos vistos, trata-se de um pénis que não se apercebeu da nova realidade e ainda julga pertencer ao heteropatriarcado.

Mais uma prova de que não há diferenças entre géneros. Um violador passa a ser mulher, mas continua violadora. O género não influencia. Ou seja, quais cadernos de exercícios! O que perpetua estereótipos de género são prisões segregadas por sexo. Quando é que o ministro Eduardo Cabrita dita à CIG a recomendação sobre isto?
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