www.cmjornal.ptMiguel Azevedo - 16 set 02:30

Uma tolice, com certeza

Uma tolice, com certeza

Gosto de ouvir Mísia cantar, gosto da sua atitude, admiro a sua coragem, o seu estilo, aprecio a forma como apresenta a sua verdade e até me encanta aquela aparente solidão em que vive.
Polémica... Já o escrevi aqui várias vezes e não me canso de o repetir sempre que necessário. E hoje sinto que é necessário… Mas já lá vamos.

Há quem não goste.

O grande Fernando Alvim costumava dizer que só não gosta da Mísia quem não a conhece. Eu tive o privilégio de com ela conversar várias vezes, com ela e com a Susana, a mulher que está por detrás de Mísia e que chegou a ter de varrer o palco e fazer a bainha do vestido para poder brilhar. Gosto das duas.

Mísia é uma estrela maior fora de Portugal, mas alguns, por cá, querem fazê-la cadente. Nunca percebi. Chega a ser admirável a projeção que Mísia tem fora de Portugal. Em Espanha e em França, por exemplo, continuam a chamá-la "embaixadora do fado" e na América Latina não lhe poupam elogios. No Chile, chamam-lhe "a voz da nostalgia e da melancolia" e na Argentina a "estrela mundial da world music", "a nº1 do fado".

Na última vez que falei com ela, perguntei-lhe pela Mísia polémica, ao que me respondeu: "A Mísia só se envolve e envolveu em polémicas que valiam para mudar alguma coisa". Serve isto para dizer que no início deste mês, Mísia se viu envolvida numa controvérsia que não escolheu e que na verdade... não serve para nada. Tudo porque num espetáculo em Buenos Aires recusou cantar ‘Uma Casa Portuguesa’, por não gostar especialmente da letra, uma espécie de apologia à pobreza. Para mim, na verdade, é pouco importante a razão porque recusou cantar.

Prefiro registar que, em vez de ‘Uma Casa Portuguesa’, Mísia cantou ‘Lisboa Antiga’ de megafone na mão, como poucas ousariam fazer. E esta sim é a Mísia que eu gosto. 
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