www.cmjornal.ptFrancisco José Viegas - 14 ago 01:30

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O admirável mundo novo lusitano rejubilou porque, a acreditar na primeira página do ‘Expresso’, uma avó irá dar à luz um neto.
O admirável mundo novo lusitano rejubilou porque, a acreditar na primeira página do ‘Expresso’, uma avó irá dar à luz um neto, ou seja, será ‘portadora’ (termo é letal) de uma criança para a sua filha, que não pode engravidar.

A ideia não me enternece. Há crianças abandonadas pelo mundo fora e os números portugueses dão conta de estatísticas que devíamos baixar: repito, crianças abandonadas pelos seus progenitores.

A maior parte deles é entregue às instituições sociais do Estado e podem vir a ser, ou não, adotadas por famílias desde muito cedo.

Compreendo o que dizem ser as ‘alegrias da maternidade’ e, à distância, entendo (mas não o partilho como um valor absoluto) o desejo de perpetuar o património genético de uma família através de uma criança gerada no laboratório ou no ventre de uma barriga de aluguer.

Trata-se de um manifestação moderna do egoísmo das gerações para quem não existe um impossível ou um interdito.

Aldous Huxley já o referia em ‘Admirável Mundo Novo’, um livro aborrecido, mas premonitório. Os avanços civilizacionais são cruéis.
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