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Mais 10 edifícios históricos vão ‘reviver’ em 2017

Mais 10 edifícios históricos vão ‘reviver’ em 2017

Após o Hotel Turismo da Guarda e as antigas termas das Caldas da Rainha, o Governo prevê fechar o ano com 12 concessões turísticas com reabilitação de património

As concessões destinadas a converter mosteiros e conventos ao abandono em hotéis prometem acelerar até ao final do ano. O programa Revive �� lançado pelo Governo no ano passado com vista a recuperar e valorizar o património cultural e histórico — prevê fechar 2017 com 12 concursos abertos a privados para projetos turísticos em património público sem utilização.

O Hotel Turismo da Guarda é o terceiro projeto a ter concurso abeto, entre os 33 edifícios identificados no programa Revive. Os interessados podem avançar propostas até 15 de setembro, e apesar deste concurso não incluir valores mínimos de investimento, o Governo estima aqui “a necessidade de obras na ordem dos €5 milhões”.

Mas ficou definido no concurso que o Hotel Turismo da Guarda terá de ter uma vertente de formação. Segundo a Secretaria de Estado do Turismo, “o projeto a desenvolver deverá incluir formação prática de alunos em contexto real de trabalho em articulação com o Instituo Politécnico da Guarda, devendo transformar-se num espaço de capacitação de recursos humanos de turismo na região”. O objetivo é que o Hotel Turismo da Guarda “se afirme como polo de formação e de fixação de jovens na região”, tendo ainda em conta “um dos maiores desafios com que o turismo atualmente se defronta, a falta de recursos humanos, fruto também do aumento de emprego que tem acontecido no último ano”.

Coudelaria de Alter é um dos próximos a ir a concurso

Pela obrigatoriedade de incluir formação, o Hotel Turismo da Guarda é um caso específico entre as concessões do programa Revive, perfilando-se a própria autarquia como o principal interessado no projeto. Na generalidade dos casos, os edifícios são destinados a hotéis puros, com os concessionários privados a assumir os custos de reabilitação, apesar do património se manter nas mãos do Estado.

O primeiro projeto do Revive aberto à concessão privada foi o Hotel Convento de São Paulo em Elvas, num concurso ganho pelo grupo hoteleiro Vila Galé em outubro do ano passado. Já em fevereiro deste ano, seguiu-se o dos pavilhões do Parque D. Carlos I nas Caldas da Rainha, neste momento em fase de adjudicação aos hotéis Montebelo do grupo Visabeira e com um investimento previsto de €15 milhões. No antigo complexo termal, agora concessionado ao grupo detentor da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro, vai nascer até 2020 um hotel “com ligação a atividades termais e cerâmicas”.

Com o último concurso do Revive lançado a 1 de agosto, para o Hotel Turismo da Guarda, o Governo terá agora de dar gás aos processos para conseguir 12 concessões abertas até ao final de 2017. Trata-se de projetos complexos, que envolvem múltiplas entidades também ligadas às Finanças, cultura e património, e conseguir que estejam prontos a ir a concurso obriga a juntar as peças todas do puzzle.

Já com o memorando de entendimento assinado entre as várias entidades, a Coudelaria de Alter, o Quartel do Carmo na Horta (Açores) ou o Convento de Santa Clara em Vila do Conde perfilam-se entre os próximos a ir a concurso. Sem querer divulgar a lista, o Governo assume estar nesta fase a fazer “levantamentos arquitetónicos, estudos patrimoniais e o registo de todos os imóveis” para avançar com as concessões do Revive.

300 investidores de olho nas concess õ es do Revive

Até ao momento, “mais de 300 investidores, nacionais e estrangeiros, manifestaram interesse pelos vários imóveis do Revive”, adianta a Secretaria de Estado do Turismo.

A Vila Galé, que iniciou em julho a obra de reabilitação do Convento de São Paulo em Elvas, assume que poderá “vir a analisar outros investimentos no programa Revive”. Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo hoteleiro, avança ainda que o projeto de €5 milhões para o hotel de quatro estrelas está a “cumprir os prazos previstos para a inauguração ser em dezembro de 2018”. O hotel Vila Galé Elvas Spa & Conference vai ter 66 quartos, dois restaurantes, spa, piscina exterior e salas para conferências e eventos, gerando 50 postos de trabalho. “Vamos integrar este hotel na marca Collection da Vila Galé, apostando num serviço de padrão elevado e na qualidade arquitetónica”. O hotel será também “uma espécie de museu”, tendo como tema as fortificações militares portuguesas pelo mundo, e “fazendo jus à história de Elvas, classificada pela UNESCO como património mundial pelas suas fortificações”. Lembrando que vários hotéis do grupo já resultam de reabilitações, o administrador da Vila Galé sustenta que o programa Revive “vai ser muito positivo para dar nova vida e valorizar o nosso património histórico e edificado” e garante que o novo hotel vai ajudar a “colocar Elvas no mapa turístico em Portugal”.

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