expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 13 ago 20:00

Tijolos para montar e desmontar

Tijolos para montar e desmontar

Estes blocos de cortiça são reutilizáveis e dão vida a diversas construções

Construir uma parede ou divisória e com as mesmas peças criar uma cama ou um sofá, são algumas das hipóteses do que pode ser feito com as peças Corkbrick. Imaginadas por Miguel Reynolds Brandão e a sua filha Catarina, têm a forma de tijolo, são feitas de cortiça e não precisam de ferramentas para darem vida a construções, dentro e fora de casa, em habitações ou empresas. Foram precisos 16 meses de investigação e desenvolvimento para chegar a este produto e nesta fase, até ao dia 27 de agosto, a Corkbrick Europe, sediada em Cascais, está envolvida numa campanha de crowdfunding (financiamento colaborativo) para angariar capital para avançar com a produção em massa e a comercialização do seu produto.

Foi numa viagem com a filha Catarina, na altura a estudar arquitetura, que surgiu a ideia para o Corkbrick. O objetivo era encontrar uma solução para converter o sótão da sua casa em vários quartos para acomodar os amigos dos filhos e, quando estes fossem embora, voltar a ter o espaço como estava.

Solução à medida

Estudaram o problema, investigaram se existia alguma coisa no mercado que permitisse colmatar esta necessidade e, depois de várias soluções estudadas, chegaram à criação do Corkbrick, blocos de cortiça que à semelhança das peças tipo Lego, permitem criar e construir em casa ou no escritório, dentro ou fora de portas, qualquer tipo de estrutura ou mobiliário sem recurso a ferramentas, cola ou pregos. A peça-base é um bloco com 20 por 20 cm, com outra peça-base que a multiplica e criaram mais cinco diferentes que se encaixam umas nas outras e permitem as mais diversas aplicações. São reutilizáveis e se com elas construiu uma mesa da qual já não precisa, pode convertê-la, por exemplo, numa estante. É só desmontar e voltar a montar.

“A escolha da cortiça teve que ver com o facto de ser leve, de construção rápida, isolante de som e térmica”, explica Miguel Reynolds Brandão. Depois de encontrada a solução, avançou para a criação da startup Corkbrick Europe, da qual é CEO e conta com mais dois sócios. Até agora, conta, “já investimos cerca de €400 mil”. Em julho o empreendedor lançou uma campanha na Seedrs, uma plataforma europeia de crowdfunding, ainda em curso, onde abriu 15% do capital da empresa, equivalente a €150 mil, para avançar com mais uma etapa do negócio. “Será para avançarmos com a produção e com a comercialização do Corkbrick, a partir de novembro”, frisa. Neste momento, a campanha de crowdfunding está a 80% do seu objetivo e conta já com 120 investidores de 20 países.

Produto global

De acordo com Miguel Reynolds Brandão, o objetivo no primeiro ano de atividade é chegar aos mil clientes globais, na medida em que as vendas vão ser feitas através de canais online, numa primeira fase apenas na Europa.

A Corkbrick recebeu a aprovação do Portugal 2020 e iniciou o processo de pedido de patente internacional. O seu mercado-alvo é o segmento do ‘crie e monte você mesmo’. A unidade de venda vai ser o metro quadrado, que custará €98. Vão ainda estar disponíveis kits com as várias aplicações possíveis, mas o cliente pode sempre pedir um produto à medida.

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