expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 13 ago 18:00

“T-Roc da Autoeuropa vai vender muito”

“T-Roc da Autoeuropa vai vender muito”

SIVA prevê que comercialização do novo modelo da fábrica de Palmela correrá melhor do que os anteriores

O novo carro fabricado pela Autoeuropa, o T-Roc, “está a ter grande atratividade no mercado nacional, apesar de ainda não estar à venda”, o que leva a SIVA — importador de veículos do Grupo Volkswagen — a admitir que “tem potencial para vender 3000 unidades por ano em Portugal”. Quem o diz é o novo administrador executivo da SIVA, Pedro Almeida, que sucedeu a Fernando Monteiro, agora em funções não executivas. “O T-Roc vai romper com a tradição de poucas vendas em Portugal que os veículos produzidos pela Autoeuropa têm tido. Vai vender-se no mercado nacional muito mais do que se venderam os monovolumes Sharan, os desportivos Scirocco ou os descapotáveis Eos, e até mais do que a soma das vendas nacionais destes três modelos”, considera Pedro Almeida.

Para a SIVA e para a rede de concessionários da Soauto — pertencentes ao Grupo SAG, de Pereira Coutinho —, o T-Roc será um “motor de vendas”, numa conjuntura de mercado em que “os veículos utilitários desportivos [SUV], ou crossovers, estão na moda”. “Este pequeno SUV fabricado em Portugal será, provavelmente, lançado na versão com motor a gasolina, com 1.0 litro de cilindrada, 115 cavalos de potência e um preço que será muito competitivo em relação à motorização diesel”, antecipa o administrador da SIVA. O T-Roc é um SUV maior do que o Audi Q2 mas mais pequeno do que o Q3, incluindo-se no segmento do Volkswagen Golf.

As vendas do T-Roc serão importantes para a SIVA, ainda no rescaldo do escândalo ‘Dieselgate’. Após a quebra de vendas de veículos ligeiros de passageiros de 3,9% no primeiro semestre de 2017 face a igual período de 2016, a Volkswagen voltou a cair no mercado nacional em julho, quando vendeu 1006 unidades do mesmo segmento, recuando 10,3% em relação às vendas de julho do ano passado.

Mercedes ultrapassa VW

No mesmo mês, a Mercedes vendeu 1418 veículos ligeiros de passageiros e a BMW ficou-se pelos 1070. A Renault liderou o mercado nacional em julho, com 2140 unidades de ligeiros de passageiros vendidas, enquanto a Peugeot vendeu 1541.

Nesta conjuntura, o administrador executivo da SIVA apresentou a nova estratégia do importador para “enfrentar as mudanças que vão ocorrer no sector nos próximos anos — será uma revolução na distribuição automóvel que constituirá uma ameaça para quem não estiver preparado”, prevê.

A maior dessas mudanças será no modelo de negócio do sector. Por um lado, diz, “haverá alterações no sector automóvel decorrentes da nova mobilidade urbana, do combate à poluição e da necessidade de descarbonização das cidades”. Por outro lado, reconhece, “há uma nova geração que olha para o carro como um meio de mobilidade e não tem um sentimento de posse que a leve a querer comprar um carro. Há dez anos, quando um jovem completava 18 anos, queria tirar a carta de condução e ter um carro. Agora, boa parte dos jovens não pensa assim”.

A SIVA identifica três tipos de tecnologias que contribuem para essa mudança. A principal é a conectividade, que liga o carro a alguma coisa — à casa, a um escritório ou a uma fábrica —, reduzindo a importância do carro como bem próprio. A seguir vem a eletrificação, que torna os carros elétricos mais práticos de utilizar nas deslocações urbanas. E a terceira será a evolução da condução assistida para o carro totalmente autónomo, que mudará muito o modelo de negócio e os serviços que lhe estarão associados. No entanto, Pedro Almeida considera que “o sector automóvel não tem certezas sobre como será o modelo de negócio daqui a cinco ou dez anos”. É garantido que os carros vão precisar menos de ir à oficina: os carros elétricos não têm óleo.

Muitas das reparações serão feitas via software, através da conectividade — os carros serão reparados sem terem de ir a uma oficina. Por isso vão surgir serviços que podem ser vendidos através do próprio carro. Essa conectividade permitirá vender potência acrescida, que aumentará a capacidade dos motores. Isso já será possível daqui a alguns meses. “Vamos poder comprar cavalos de potência no próprio carro”, anuncia Pedro Almeida. Por exemplo, quem tem um Volkswagen Golf com 150 cavalos poderá, em breve, comprar mais 40 cavalos. Essa compra será paga com o cartão de crédito, através da rede online da Volkswagen. Os 40 cavalos serão instalados recorrendo a software descarregado no carro. Outro novo negócio “permitirá comprar um novo sistema de iluminação led para os carros, com luzes que acendem de forma mágica”. Tudo isso será possível graças à conectividade. “Também os telemóveis vão passar a ser as chaves dos carros dentro de pouco tempo.”

Ou seja, “há coisas para vender depois de entregar um carro, como cavalos de potência, luzes, assistência ao estacionamento — itens que fazem com que o cliente tenha de ser acompanhado de uma forma mais constante do que aquela que hoje existe”, comenta Pedro Almeida. Ainda há outra potencial mudança sobre a qual o administrador executivo da SIVA não tem tanta certeza, que é o fim do motor a diesel.

Volvo só vende elétricos

A Volvo já anunciou que depois de 2019 só vai vender carros com motorizações elétricas ou híbridas. Pedro Almeida reconhece que, a partir de 2021, o nível de emissões dos carros tem de ser inferior ao atual, baixando dos 130 gramas de CO2 por quilómetro para 95 gramas por quilómetro.

“Não se faz esta redução sem carros elétricos, por isso, em 2021, terão de ser vendidos 10% a 11% de carros elétricos”, refere. “Nas emissões de CO2, os motores diesel são menos poluentes do que os motores a gasolina. O problema do diesel são os óxidos de azoto e as partículas”, diz.

Foi por isso que as marcas começaram a fabricar pequenos motores a gasolina com um litro de cilindrada, com o mesmo nível de emissões do motor diesel 1.5 mas com menos óxidos de azoto e sem partículas. “Isso é uma tendência clara. Mas o mercado diesel vai mudar de um dia para o outro, porque o consumo de um carro diesel ainda é inferior ao dos motores a gasolina”, comenta.

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