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EUA - Scaramucci garante que há na Casa Branca quem queira afastar Trump

EUA - Scaramucci garante que há na Casa Branca quem queira afastar Trump

Ex-diretor de comunicações junta-se ainda ao coro de críticas contra a reação inicial do presidente à violência em Charlottesville

Anthony Scaramucci, despedido ao fim de apenas dez dias como diretor de comunicação da Casa Branca, quebrou hoje o silêncio com uma crítica à resposta do presidente dos EUA à violência em Charlottesville. E com um aviso: há pessoas na Casa Branca que querem afastar Donald Trump. The Mooch, como é conhecido o ex-banqueiro de investimentos, não explicou a quem se estava a referir, dizendo só que já tinha "nomeado alguns nomes". Na entrevista à estação ABC, criticou ainda a influência do principal estratega da Casa Branca, Steve Bannon, indicando contudo que "o presidente sabe o que vai fazer" com ele.

"O que acontece em Washington é que o presidente não representa a classe política estabelecida. E então, por qualquer razão, as pessoas tomaram a decisão de que querem afastá-lo", disse Scaramucci. "Acho que há elementos em Washington, inclusivamente na Casa Branca, que não estão necessariamente a defender os interesses do presidente", avisou The Mooch, acrescentando que Trump tem "uma ideia das pessoas que estão a minar a sua agenda e a servir os seus próprios interesses". E defendeu que o presidente precisa de pessoas "mais leais" à sua volta.

Scaramucci foi demitido depois de ser revelado um telefonema com um jornalista do The New York Times onde insultava Bannon e criticava o então chefe de gabinete Reince Priebus. Hoje, reiterou que pensava que o telefonema tinha sido "off the record", apesar de não ter pedido explicitamente que as suas declarações não fossem publicadas. "Obviamente paguei as consequências." Apesar de só ter estado dez dias na Casa Branca, a sua nomeação levou à saída do porta-voz Sean Spicer e de Priebus, substituído pelo general John Kelly. Quem continua com Trump é Bannon, antigo responsável pelo Breibart News (site de notícias de extrema-direita).

Esta entrevista surge numa altura em que o presidente está sob ataque devido à resposta à violência em Charlottesville. A Casa Branca teve que especificar que Trump condena "todas as formas de violência, intolerância e de ódio", incluindo "os supremacistas brancos, o KKK [Klu Klux Klan], os neonazis e todos os grupos extremistas".

Ontem, uma marcha em Charlottesville, na Virgínia, acabou em confrontos entre supremacistas brancos e antifascistas, obrigando a declarar o estado de emergência. Uma mulher morreu e 19 pessoas ficaram feridas quando um carro irrompeu contra a multidão e dois polícias perderam a vida na queda de um helicóptero que vigiava os protestos. O FBI está a investigar.

Trump limitou-se a condenar "o ódio e o fanatismo" de "múltiplas partes", sem especificar, apelando ao fim do "ódio e da divisão". Mas gerou um coro de críticas, não só dos que alegam que a sua eleição serviu para dar novo ímpeto à extrema-direita nos EUA, como dos republicanos. "Sr. Presidente. Temos de chamar o mal pelo nome", escreveu o senador do Colorado, Cory Gardner. "Eram supremacistas brancos e isto foi terrorismo doméstico." O próprio Scaramucci disse à ABC que o presidente devia ter sido "mais duro".

No meio das críticas, a campanha para a reeleição de Trump divulgou o primeiro anúncio televisivo. São 30 segundos que mostram o que o presidente já fez em sete meses, incluindo criar empregos e ajudar a Bolsa: "Os inimigos do presidente não querem que ele seja bem sucedido, mas os americanos estão a dizer: "Deixem o presidente Trump fazer o seu trabalho"."

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