expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 13 ago 23:30

Insígnia de qualidade

Insígnia de qualidade

Os automóveis das marcas premium têm cada vez mais concorrência. E mesmo que a popularidade do segmento D tradicional esteja a perder terreno para os SUV, continuam a aparecer propostas tentadoras. É o caso da nova geração do Opel Insígnia

Comecemos pelo princípio. A Opel sabia que o Insignia precisava de mais do que uma lavagem de cara. O modelo estreado em 2008 acusava o peso dos anos. Por isso, a mais recente geração assenta numa plataforma totalmente nova, com maior distância entre eixos. E isso nota-se assim que se entra a bordo, com mais espaço para os ocupantes, em especial para quem viaja nos bancos traseiros. As linhas exteriores são sóbrias. Mais trabalhadas do que na geração anterior, mantêm um perfil discreto, apenas quebrado pela linha descendente ao nível do terceiro pilar, lembrar a estética do Mercedes CLA, ainda que seja uma lembrança longínqua. Por dentro, é notória uma escolha mais cuidada dos materiais. Visualmente, o tablier é muito parecido com o que já conhecemos da gama Astra. No que toca aos acabamentos, e apesar das melhorias evidentes, o lado menos premium do Insignia sobressai. Ainda assim, a relação preço/qualidade tem nota mais do que positiva.

… depois entranha-se

Não é que se estranhe alguma coisa no Opel Insignia, mas o uso do slogan criado por Fernando Pessoa justifica-se porque este é um daqueles automóveis que se entranha quanto mais se conduz. Desde logo porque a suspensão se mostra eficaz sem comprometer o conforto. Em curva, o Insignia mostra que gosta de ser provocado e que consegue ser divertido. A Opel fez o trabalho de casa e retirou ao novo modelo quase 200kg face à geração anterior. Depois, porque a insonorização filtra bem o ruído do motor, mesmo neste caso com o bloco 2.0 diesel. Para um automóvel com mais de 4,80m de comprimento, a estabilidade em curva impressiona e são várias as ocasiões em que me surpreendo com o prazer de condução garantido por esta nova proposta. Claro que ajuda ter debaixo do capot o mais potente dos motores a gasóleo com uns imponentes 170cv e um binário de 400 nm, o que assegura recuperações muito rápidas e uma resposta mais do que convincente. Claro que as vendas em Portugal vão estar centradas no mais modesto 1.6 Turbo D Ecotec com 110 cv, que tem um binário de 300 nm. Uma diferença que vem refletida também no preço, com o 1.6 Turbo D Ecotec a custar menos cerca de 10 mil euros. A oferta de motorizações diesel passa ainda pelo 1.6 Turbo D com 136 cv. Já nos motores a gasolina, o bloco 1.5 Turbo está disponível com 140 cv e 165 cv.

1 / 3 2 / 3 3 / 3 Tecnologia de referência

Há muito que a Opel aposta na tecnologia. Quando olho para a lista de gadgets que equipam o modelo que levei para a estrada, a lista de opcionais revela que há perto de 10 mil euros a mais do que o preço indicado na filha técnica. É certo que o nível de equipamento Innovation já é muito completo. Mas há pormenores que enriquecem este modelo. Desde logo o head-up display, possivelmente o melhor e mais completo que já ensaiei. É possível escolher quais as informações que se vê no pára-brisas e, coisa rara, até o indicador de mudança de velocidade de caixa recomendada está presente. A câmara 360º com ângulo panorâmico também é um extra bem-vindo e facilita muito nas manobras de estacionamento, até porque a visão para trás não é das melhores. Outra aposta da marca é o sistema Opel Eye, que inclui o programador de velocidade adaptativo. O que não é uma referência é a bagageira. Com 490 litros, o Insignia Grand Tourer fica aquém dos rivais mais diretos. Para quem precisa de espaço de bagagem, a carrinha Insignia Sport Tourer é melhor opção, com 560 litros.

Ou seja, no final é uma questão de contas. O Insignia pode não ter a qualidade de um premium, mas também apresenta um preço mais racional. E a Opel sabe que há, cada vez mais, uma clientela que procura qualidade por um valor mais baixo. Mas o grande desafio vem da concorrência dos SUV do segmento D que nos dias de hoje seduzem cada vez mais público, em especial aqueles que há uns anos optavam pelas chamadas carrinhas.

1
1