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Filhos da Nação

Filhos da Nação

É a referência histórica do regime de Chávez, revisto e acrescentado por Maduro. Mas não lhe chamem 'socialista'

É a referência histórica do regime de Chávez, revisto e acrescentado por Maduro. Mas não lhe chamem "socialista".
Odiado por Karl Marx, que o alcunhava de "falsificador, desertor, conspirador, mentiroso, cobarde e saqueador", Simon Jose Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios Ponte y Blanco morreu em 1830.
Político e general autodidacta, crioulo vindo da aristocracia abastada, Simão Bolívar destruiu o império latino-americano de Madrid, unificou tenuemente o que são hoje a Venezuela, o Equador e a Colômbia, e sonhou a "confederação dos Andes".
Admirador genérico das revoluções burguesas da Europa e EUA, acreditava no entanto no "caudilhismo" de um homem a cavalo.
Desiludido e doente, terá dito, pouco antes de morrer: "Ganhámos a independência, mas perdemos tudo o resto."
Na Constituição de 1999, o chavismo inscreveu Deus, o Povo e Bolívar como rochedos fundadores da Nova Ordem. Esta seria um "Estado democrático e social de direito", em que inovadoramente se inscrevia o "recall" de inspiração ianque (art. 72), a capacidade de os eleitores retirarem a confiança a um eleito. Isto não funcionou com Nicolás Maduro, quando em Outubro de 2016 o STJ cancelou um procedimento desse tipo contra o Presidente.
A verdade é que a Venezuela não tem hoje uma guerra civil, mas um conflito em que um regime ameaçado subverte a própria Constituição que jurou.
A partir de 2015, a oposição do MUD obteve 56% do voto popular para o parlamento, contra 40% do partido presidencial, o PSUV.
Apesar de a Lei Fundamental falar em muitos poderes, a verdade é que a sede da competência para produzir leis ficou fora das mãos "bolivaristas".
E a Assembleia Nacional, segundo os arts. 2, 187, e 347, da dita Constituição, possui a capacidade única para rever a Lei Fundamental.
Andaram assim bem os governos estrangeiros que recusaram reconhecer a legitimidade de um segundo parlamento, eleito num sufrágio ilegal e sob suspeita de fraude.
A Venezuela vive a subversão legal. Incluindo as tentativas de um tribunal supremo, eleito ainda pelo chavismo, que posterga "sine die" eleições locais, usurpa brevemente funções parlamentares, e demite, sem o poder, uma procuradora-geral.
Mas há uma crise mais profunda.

Alega o regime o cerco internacional, mas a verdade é que perde terreno em todos os sectores, e pode ter começado a naufragar entre as forças de defesa e segurança, apesar da "mão de ferro" bolivariana que controla os espiões civis e militares da SEBIN e DGIM, os 113 mil homens nas fileiras e as forças especiais.
Este regime existe desde 1999, e teve tempo para tudo, incluindo para diversificar uma economia que ainda vive em 95% das exportações petrolíferas.
E neste regime está meio milhão de portugueses e luso-descendentes, 90% oriundos da Madeira.
Temos especiais responsabilidades para com eles.
Desde Agosto de 1974 que Portugal viveu a crise dos "retornados", chamados assim por preconceito ideológico.
A palavra implicava que eram nacionais europeus que partiram para África, nasceram em África, tiveram filhos e netos em África, não para continuar a existência, mas para colonizar um bem alheio.
Senão, seriam "refugiados" de guerras cruéis.
Gonçalves Ribeiro, o brigadeiro Nico, tanta gente sem nome mas com fibra, ajudou a repatriar a superfície desta massa humana, através de uma ponte aérea que transportou centenas de milhares. Muitos outros vieram por meios diversos, mais ou menos desesperados.
Não queremos que os portugueses da Venezuela tenham a mesma sorte, e ainda esperamos que possam viver uma transição pacífica, ou controlada, como a da África do Sul.
Mas devemos preparar-nos para os acolher, agora que temos mais meios (nacionais e europeus), e meios mais ordenados, do que o país caótico de 1975.
São filhos de Portugal, e este tem de lhes valer.
A não ser que se transforme de nação em mera noção.
O melhor e o piorio  

Uma aeronave mata duas pessoas inocentes, numa praia popular e povoada. Logo se formam duas tribos: uma de defesa cega de qualquer erro de pilotagem, outra de ataque surdo a qualquer tipo de voo.
A profissão de piloto é respeitável, digna, reconhecida internacionalmente, cada vez mais importante. E a aviação traduziu alguns dos maiores sonhos, avanços e prodígios da humanidade.
No Portugal melhor, temos normas de disciplina, controlo e verificação do tráfego aéreo, que são modelares. A sua aplicação estrita e a fiscalização constante dos critérios e padrões de segurança são essenciais.
O resto, dos linchamentos públicos ao branqueamento de responsabilidades, é o habitual no Portugal pior.
O mundo é um lugar complicado 

Recapitulemos.
Na Coreia do Norte, os EUA não querem uma mudança de regime. Todos os povos devem ser livres de escolher entre a Idade da Pedra e a comida rápida. Podem interceptar um míssil intercontinental com o sistema THAAD, mas a não ser que seja sobre águas internacionais, Pyongyang retaliará, se conseguir.
Suspeitam de que a China não morre de amores pela unidade peninsular, e que não controla 100% da alma de Kim Jong-un. Desejam saber o que significa a reabertura, com pompa e circunstância (e declarações de amor eterno) da embaixada norte-coreana em Teerão.
Na Síria e no Iraque, combatem o Daesh, mas ainda não criaram doutrina, face ao avanço russo e sobretudo iraniano. Cruéis dilemas.
(Menu) Vestido (de Verão) 

Por todo o País, não desfazendo. Casca de sapateira (Bicho D'Água), pizza marinara com salame picante (Casanostra), choco em tempura preta (Sea Me), preguinho de carne mertolenga (Bar do Guincho), tártaro com emulsão de batata (Tar-ta-Ria), mariscada (Mar do Inferno), robalo grelhado (Praia da Adraga), caril de Damão (Zaafran), peixe no gelo (Go Juu), carabineiros fritos (2 Passos), arroz de marisco na hora (Faro e Benfica), bucatini com bochecha de porco (Il Parmigiano), leitão crocante (Bica do Sapato), verde Soalheiro, branco maduro Fiuza Alvarinho, tintos Quinta dos Avidagos Reserva e Manoella, pastéis de nata Aloma, bacanal de chocolate (100 Maneiras), tiramisu mesmo só da Daniela. 

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