sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 13 ago 15:29

Luísa Salgueiro vs Narciso Miranda. Uma família dividida

Luísa Salgueiro vs Narciso Miranda. Uma família dividida

O processo de elaboração das listas voltou a ser conturbado e o resultado está à vista com o aparecimento de três candidatos da família socialista. Luísa Salgueiro entra na corrida com o apoio do PS. Narciso Miranda, que liderou a Câmara durante quase 30 anos, volta a avançar como independente. António Parada, que foi cabeça de lista do PS nas últimas autárquicas, demitiu-se do partido e também entra na corrida. A guerra interna está para durar e já foi parar à Justiça.

Matosinhos é um dos bastiões do PS, mas há muitos anos que a família socialista não se entende naquele concelho. O resultado das profundas divisões internas são evidentes com o aparecimento de três candidaturas da área socialista: Luísa Salgueiro, candidata do PS, António Parada, que se demitiu há uns meses e avança como independente, e Narciso Miranda, que liderou a Câmara com a camisola do PS durante quase 30 anos. 

O último episódio da guerra interna foi a tentativa do presidente da concelhia, Ernesto Páscoa, de impugnar judicialmente as listas do partido com o argumento de que o processo de escolha do candidato violou os estatutos. O nome de Páscoa foi aprovado pela concelhia como candidato à autarquia, mas a distrital decidiu não ratificar a decisão e aprovou a candidatura de Luísa Salgueiro.

‘Fiz tudo para juntar a família socialista’, diz Luísa Salgueiro

A candidata socialista, que foi vereadora na Câmara de Matosinhos entre 1997 e 2009 e é deputada na Assembleia da República, admite que «gostaria que não acontecesse» esta divisão, mas «cada um responde por si». Luísa Salgueiro diz que fez tudo para «juntar a família socialista. Esta candidatura conseguiu atingir o grande objetivo que era reunificar o partido com aqueles que há quatro anos saíram por causa das escolhas que o partido fez». 

Nas últimas eleições autárquicas, o processo de escolha dos candidatos não foi menos conturbado em Matosinhos. O PS escolheu António Parada como candidato e Guilherme Pinto, que liderava a Câmara, demitiu-se do partido e avançou como independente. Pela primeira vez, os socialistas perderam a Câmara, mas Guilherme Pinto e o grupo que o acompanhou voltaram ao PS. 

O filme repete-se 

Desta vez foi António Parada a apresentar a demissão para se candidatar como independente. «Não me revejo nos métodos utilizados pelo PS. Tornei-me um cidadão independente», diz ao SOL Parada, que foi militante do PS durante 35 anos e saiu no dia em que o partido apresentou a candidatura de Luísa Salgueiro. «Revi-me nos ideais do PS enquanto foram praticados. Eu não sou do PS. Sou um cidadão de Matosinhos. Não tenho nada a ver com o PS», acrescenta. António Parada tem o apoio formal do CDS e garante que tem na sua candidatura muitos militantes socialistas e do PSD. 

Narciso Miranda garante que não volta ao PS

As guerras internas fizeram também nascer outro candidato independente. Narciso Miranda avançou pela primeira vez nessa condição em 2009 e por causa disso foi expulso do partido. Oito anos depois de ter ficado em segundo lugar com pouco mais de 30% dos votos. «Quero disponibilizar a minha experiência, porque conheço Matosinhos como a palma das minhas mãos. Quero utilizar este grau de conhecimento para pôr ao serviço da população».

Narciso Miranda aponta ainda outra razão para voltar a travar esta batalha. Nas últimas autárquicas, em Matosinhos, foram mais os eleitores que ficaram em casa do que aqueles que foram votar. «Votaram pouco mais de 73 mil e ficaram em casa mais de 76 mil. É preocupante votarem apenas 49% dos eleitores para escolher o presidente da Câmara. Isso obriga a uma reflexão profunda, séria e serena. Do meu ponto de vista esta situação resulta desta crispação gerada pelos aparelhos dos partidos ou pelo menos de alguns partidos», diz.

Narciso foi desafiado para voltar ao PS - antes de lançar a sua candidatura à autarquia - mas não quis. «Nunca mais voltarei à atividade partidária», garante ao SOL . «Resisti durante quase dez anos e vou resistir até ao fim da minha vida», acrescenta.

Há quatro anos, Guilherme Pinto, que morreu no início deste ano, conquistou a Câmara com 43,4% com o Movimento Guilherme Pinto por Matosinhos. 

António Parada, candidato do PS, ficou em segundo lugar com cerca de 25% dos votos. A direita é quase inexistente em Matosinhos. O PSD, nas últimas eleições, não conseguiu chegar aos 10% e o CDS teve menos de 2%.
 

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