www.dn.ptInês Teotónio Pereira - 12 ago 01:00

A Um Metro Do Chão - De filhos a irmãos mais velhos

A Um Metro Do Chão - De filhos a irmãos mais velhos

Neste mês de ócio, em que as praias se enchem de crianças aos gritos e de pais estafados atrás de crianças aos gritos, é preciso parar dois minutos entre os grelhados e as minis para agradecer, para nos curvarmos perante duas categorias de pessoas indispensáveis que permitem que todos os pais ainda consigam espreguiçar-se nas praias da Comporta à Quarteira, do Guincho à Nazaré. Pessoas que nos dão a possibilidade de nadarmos, de tomarmos banho sozinhos nas ondas sem que venham crianças atrás de nós aos gritos e em modo kamikaze. Santos, enfim, que nos proporcionam alguns momentos de paz num mês em que só os pais em geral e Ricardo Salgado em particular sabem que é traumatizante: o malfadado agosto das creches fechadas. São elas, como não podia deixar de ser, os avós e, acrescento, os irmãos velhos. Se os avós são tradicionalmente os mais sacrificados, aqueles para casa de quem enviamos as crianças de férias para podermos trabalhar e a quem pedimos ajuda para ir de férias; os irmãos mais velhos são os ajudantes de campo perfeitos. São os do "olhinho": "Dá aí um olhinho aos manos enquanto eu vou ali à esplanada." Os mais velhos dão um olhinho na praia, no mar, no carro, em casa, a atravessar a rua, no supermercado, etc . E o "olhinho", como todos os pais sabem de cor e salteado, é fazer castelos na areia, brincar nas pocinhas, empurrar os baloiços, mudar a fralda, etc. O "olhinho", não é mais do que uma forma de pedir com jeitinho para eles fazerem de pais enquanto nós fazemos de filhos. De eles assumirem o papel de irmãos e nós de nada.

Neste mês de ócio, em que as praias se enchem de crianças aos gritos e de pais estafados atrás de crianças aos gritos, é preciso parar dois minutos entre os grelhados e as minis para agradecer, para nos curvarmos perante duas categorias de pessoas indispensáveis que permitem que todos os pais ainda consigam espreguiçar-se nas praias da Comporta à Quarteira, do Guincho à Nazaré. Pessoas que nos dão a possibilidade de nadarmos, de tomarmos banho sozinhos nas ondas sem que venham crianças atrás de nós aos gritos e em modo kamikaze. Santos, enfim, que nos proporcionam alguns momentos de paz num mês em que só os pais em geral e Ricardo Salgado em particular sabem que é traumatizante: o malfadado agosto das creches fechadas. São elas, como não podia deixar de ser, os avós e, acrescento, os irmãos velhos. Se os avós são tradicionalmente os mais sacrificados, aqueles para casa de quem enviamos as crianças de férias para podermos trabalhar e a quem pedimos ajuda para ir de férias; os irmãos mais velhos são os ajudantes de campo perfeitos. São os do "olhinho": "Dá aí um olhinho aos manos enquanto eu vou ali à esplanada." Os mais velhos dão um olhinho na praia, no mar, no carro, em casa, a atravessar a rua, no supermercado, etc . E o "olhinho", como todos os pais sabem de cor e salteado, é fazer castelos na areia, brincar nas pocinhas, empurrar os baloiços, mudar a fralda, etc. O "olhinho", não é mais do que uma forma de pedir com jeitinho para eles fazerem de pais enquanto nós fazemos de filhos. De eles assumirem o papel de irmãos e nós de nada.

Desde que tenho filhos mais velhos passei de comandante a general. Hoje, ao fim de cinco filhos mais velhos e um mais novo, já não sujo as mãos na terra, já não me curvo para apanhar brinquedos, carregar baldes de água e já nem sei empurrar baloiços. Hoje, coordeno as operações. Sento-me em locais onde possa ter um panorama geral e ali fico, em estado de ócio, qual Marco António em cima do cavalo a controlar os seus exércitos. No fim, distribuo elado a todos. Um bom investimento, portanto.

Não, não é injusto nem é uma exploração. Em tempos remotos, quando era mais nova e menos experiente, também achei que estava a explorar os irmãos mais velhos passando-lhes funções que eram minhas. Mas rapidamente percebi que não: enquanto suas excelências adormeciam nas toalhas eu andava de gatas a fazer buracos na areia e a carregar baldes. Sem parar. Além disso, existindo vários irmãos mais velhos não há apenas um sacrificado, são todos. Logo, é um sistema justo: estamos todos ao serviço de um ditadorzeco.

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