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Swaps. Empresas saldam segunda tranche de juros em 2018

Swaps. Empresas saldam segunda tranche de juros em 2018

Os pagamentos ao grupo Santander Totta relativos aos swaps atingirão o pico em 2020

As empresas públicas de transportes que celebraram swaps com o banco espanhol Santander Totta pagaram apenas parte dos 530 milhões de euros em atraso neste ano, tendo o restante valor sido empurrado para as contas de 2018. Em causa, os pagamentos que se acumularam desde 2013, ano em que o governo PSD-CDS decidiu deixar de respeitar os contratos.

“O valor devido e que não tinha sido pago era cerca de 530 milhões de euros. Ficou acordado o seu pagamento em duas tranches. Uma delas já foi paga em maio deste ano e a outra será paga até ao final de janeiro de 2018”, esclareceu fonte oficial do Ministério das Finanças ao Dinheiro Vivo.

Além deste valor, há ainda mais 1300 milhões de euros de compromissos futuros que as empresas deverão saldar ao longo dos próximos anos, enquanto os swaps vão atingindo a sua maturidade – sobretudo até 2022, já que o swap que se prolonga até 2027 é dos considerados menos tóxicos.

“Além dos 530 milhões de euros em juros não pagos, há 1300 milhões de euros em juros vincendos, o que faz cerca de 1800 milhões de euros, somando-se as duas parcelas”, assumiu Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado das Finanças, em audição parlamentar realizada na última semana.

A normalização e o calendário de pagamentos dos 530 milhões em atraso foi o principal esteio do recente acordo entre o Estado e o Santander Totta, que não alterou qualquer característica dos contratos, daí que continuem a acumular juros a cada trimestre. “Em relação a taxas de hoje e aos swaps mais danosos, há um com [taxa de] 112%, outro de 106% e outro 103%”, admitiu Ricardo Mourinho Félix na mesma audição.
2020 será o ano mais caro

O Ministério das Finanças já fez as contas e identificou que 2020 será o ano em que irão custar mais às empresas públicas.

“Os cash-flows totais estimados pagar pelas empresas de transporte devem atingir o seu pico em 2020 e diminuirão a partir desse ano”, avançou fonte oficial das Finanças ao DN/DV. Este pico explica-se em parte pelas diferentes datas de vencimento dos swaps.
No total, são nove os contratos dos quais há que retirar um da equação, que já atingiu a maturidade. Depois, um outro destes swaps não tem barreira inferior, a característica que fez disparar a toxicidade destes contratos – estes swaps acumulam juros porque as empresas acordaram com o banco pagá-los na eventualidade de a Euribor cair abaixo de 2%.

Sobram sete swaps, três dos quais atingem a maturidade ao longo de 2019 – janeiro, março e em setembro. Em outubro de 2015, os três swaps que vencem em 2019 já cobravam juros de 62%, 33% e 21%. Libertado destes, os pagamentos devidos ao banco espanhol entrarão em queda.

Assim, e pós-2020, continuarão ativos quatro swaps – sem contar com o já referido swap sem limite inferior, do Metro do Porto -, que vão pesar nas contas das empresas até 2022, quando atingem a maturidade. Nestes quatro destacam-se dois, um também do Metro do Porto e outro do Metro de Lisboa.

Estes dois swaps que estarão ativos até meados de 2022 acumulavam juros superiores a 70% em outubro de 2015 e perto de 900 milhões de euros em juros vincendos, valores que continuaram a acumular desde então.

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