ionline.sapo.ptJosé Cabrita Saraiva - 18 jul 09:01

Isaltino não devia ter-se recandidatado

Isaltino não devia ter-se recandidatado

Durante mais de 30 anos vivi em Oeiras e sei o que o concelho melhorou nestas últimas décadas. Onde antes havia terrenos desaproveitados, nasceram jardins – dezenas deles. Os bairros de lata desapareceram. Edifícios que estavam vazios ou ao abandono foram recuperados e ganharam uma nova vida. E o que foi construído de raiz exibia uma qualidade superior ao que se via noutros sítios.

 Isso era indiscutivelmente obra de um homem – Isaltino Morais. Bastava olhar para a zona limítrofe entre Oeiras e Sintra para perceber a diferença: de um lado da “fronteira” (Oeiras), havia arruamentos arranjados e edifícios relativamente bonitos; do outro lado (Sintra), armazéns mal enjorcados, estradas com lixo nas bermas e pouco planeamento urbanístico. Por isso, quando começaram a pairar suspeitas sobre o principal obreiro desta transformação não liguei muito.

E em discussões com amigos que viviam perto de mim e que atacavam Isaltino, conseguia perceber os seus argumentos. Mas parecia-me que, para os munícipes, era sempre preferível ter um autarca que melhorara de forma evidente a vida no concelho – ainda que talvez tivesse feito uma trafulhice aqui ou ali – do que alguém impoluto, mas também sem capacidade de realização. Só que uma coisa é ser suspeito, outra coisa é ter sido condenado e ter cumprido pena de prisão.

Assim, apesar de ter sido sempre “isaltinista”, foi com alguma incredulidade (ainda que sem surpresa...) que ouvi o anúncio da sua recandidatura à Câmara de Oeiras. Volto a frisar: é preferível receber comissões por obras que se fez do que recebê-las por não fazer nada ou, pior ainda, por destruir o que estava feito, como aconteceu noutros casos. Mas, até porque já deixou a sua marca, Isaltino não devia ter-se recandidatado a Oeiras.

Talvez seja preconceito meu, mas ter como presidente da câmara alguém que ainda há pouco tempo estava preso por crimes cometidos no exercício do cargo parece-me algo que roça o absurdo. Mesmo que essa pessoa se tenha regenerado.

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