expresso.sapo.ptDuarte Marques - 18 jul 10:26

Governo não está à altura do país que temos

Governo não está à altura do país que temos

Opinião de Duarte Marques

Sucedem-se os episódios que vêm demonstrar que o governo não está à altura dos desafios do país, que não está ao nível do empenho dos portugueses, que não enfrenta os problemas com a mesma dignidade e responsabilidade com que a nossa sociedade civil o faz. São vários os exemplos onde a sociedade civil faz a sua parte do trabalho, mas onde o governo volta a falhar naquilo que é a sua responsabilidade.

A tragédia de Pedrogão revelou um país que já conhecíamos, os portugueses reagiram imediatamente numa onda de solidariedade que só surpreende quem não nos conhece. As centenas de instituições de solidariedade social por esse país fora mobilizaram todos os seus meios e redes. Os artistas e figuras públicas deram o seu contributo organizando eventos. Os cidadãos anónimos e as empresas não hesitaram em colocar no terreno aquilo com que podiam ajudar. Em tempo recorde juntaram-se 13 milhões de euros além dos milhares de toneladas de bens que foram depositados nas zonas afetadas. Portugal e os portugueses reagiram ao nível da nossa história.

O que falhou até agora? Além da incapacidade de coordenação dos meios de combate, da inacreditável guerra entre os partidos do governo que não se conseguem entender na reforma florestal, a cada dia que passa percebemos a incapacidade do governo em agilizar a ajuda no terreno. Amontoam-se os anúncios e as promessas, as mais disparatadas justificações para o sucedido e a única coisa que parece merecer o empenho do governo é a gestão da agenda mediática e a sua imagem.

Se olharmos para a economia portuguesa percebemos também que a sociedade civil e as empresas fizeram bem o seu trabalho, cresceram nas exportações, aumentaram a oferta turística, criaram novas atrações. Só o Estado voltou a falhar ao não se adaptar e preparar para este boom turístico. Veja-se o caso do Serviço de Estrangeiros Fronteiras (SEF) e do caos nos aeroportos nacionais, principalmente no Porto e em Lisboa.

Ora, se a austeridade já passou, se o país tem hoje condições melhores, a prioridade do governo deveria ser adaptar a capacidade de serviços como o SEF para garantir que o normal funcionamento das nossas infraestruturas e a qualidade do trabalho das nossas forças de segurança não é afetado.

Os museus fecham por falta de pessoal, o SEF colapsa por falta de agentes, os aeroportos tornaram-se locais infernais e pouco simpáticos para quem nos visita. Qual a solução do Governo? Pedir aos agentes do SEF que “facilitem”, que reduzam os níveis de segurança para que os milhares de passageiros que nos visitem não sejam tão incomodados. Será que está tudo doido? Isto é uma irresponsabilidade e é até imoral.

O mau exemplo vem de cima, do Governo e principalmente do Primeiro-Ministro que é incapaz de enfrentar com responsabilidade os problemas existentes.

É o tal “novo caminho”. O Estado não tem dinheiro e decide “apropriar-se” da gestão do fundo de solidariedade constituído pelos donativos dos portugueses. O Estado não consegue reforçar o SEF e os seus meios e o governo sugere “facilitar” o controlo. O Estado não recruta vigilantes para os museus e a única solução é fechar 80% das salas de um dos mais importantes museus portugueses. O governo não paga as bolsas aos estudantes superior, adia os pagamentos aos bolseiros de investigação e ainda persegue politicamente quem protesta. Resta mencionar a habitual solução de António Costa para todos os problemas: mentir ou dizer que a culpa é do governo anterior, do PSD, de Passos Coelho, da União Europeia ou das condições climatéricas.

Este é um governo de faz de conta, de propaganda e de meias verdades. Vive da complacência da esquerda parlamentar e dos “double standards” de alguma comunicação social. É infelizmente um governo que não está à altura do país que temos. Felizmente, para todos nós e sobretudo para Portugal, o país é muito melhor que o nosso governo.

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