www.cmjornal.ptLuciano Amaral - 17 jul 01:30

Crise e revolução

Crise e revolução

PS, PCP e BE não estão preocupados com os possíveis 3000 despedidos da PT.
Não há dúvidas de que a crise de 2010-2011 acabou por gerar uma revolução. Ver um primeiro-ministro rosnar à PT, a antiga empresa monopolista das telecomunicações, a tesouraria do GES, a fonte de emprego das famílias de metade da classe política, era inimaginável há três ou quatro anos.

Isto só é possível porque Costa não está a falar com os amigalhaços do costume, com quem as coisas se resolviam por almoçaradas, mas com uma multinacional que não se pode dar às mesmas brincadeiras – acrescendo que, com a partida da Prisa, Costa vê os amigos socialistas espanhóis abandonarem a TVI.

Eis a terceira revolução da democracia: a primeira foi a das nacionalizações de 1975, a segunda a das privatizações dos anos 80 e 90, que gerou a classe empresarial agora evanescente. Uma classe criada pelo Estado, com o plano de fundar um novo capitalismo português: o capital estrangeiro foi impedido de controlar as empresas privatizadas e estas, bem portuguesas, ficaram com mercados reservados.

Uma pessoa pergunta-se com que dinheiro esses vultos pagaram à época as suas guerras? As guerras de Salgado com Belmiro ou de Jardim Gonçalves com Teixeira Pinto? Terão vivido na mesma bolha que nós todos, a qual um dia rebentou.

Agora, os símbolos desses tempos acabaram mesmo em mãos estrangeiras: o BCP é chinês, o BPI espanhol, o Novo Banco será americano, a EDP é chinesa, a Altice (dona da PT) tem sede na Holanda, mas é de um francês que vive na Suíça, etc. Mas esta terceira revolução também é política: a geringonça seria impossível no passado.

O que os partidos da geringonça estão a fazer é colocar-se em cena para negociar. PS, BE e PCP não estão preocupados com os possíveis 3000 despedidos da PT.

Senão também estariam com os 2000 da CGD. Trinta anos deram para um modus vivendi com os antigos "señoritos". Agora precisam de se entender com os novos.
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